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Crise económica reduz presentes do “Dia de São Valentim”


Presentes do dia dos namorados

Presentes do dia dos namorados

Para muitos, o 14 de Fevereiro, será uma data apenas de reflexão, e os presentes serão trocados por bens de consumo familiar.

Nos meios de comunicação social, os anúncios de festas e eventos para a celebração do dia dos namorados são cada vez mais intensos, mas muitos jovens lamentam a perca do poder de compra em face da subida galopante do preço dos bens essenciais.

O aumento de preços não é acompanhado pelo aumento salarial, o que deixa as pessoas sem alternativas.

O jovem Domingos Vicente, que trabalha no ramo da hotelaria e turismo, pensa que apesar das dificuldades que a população enfrenta, os verdadeiros efeitos da crise ainda não alcançaram o cidadão comum.

Para ele, esta situação poderá agravar-se nos próximos tempos, uma vez que os preços dos bens de primeira necessidade sobem todos os dias. O jovem acrescenta que muitos estão divididos entre presentear a parceira ou parceiro e pôr comida em casa.

“Imagina que eu não tenha óleo, massa, tomate, cebola em casa. Não tenho nada entre dar um presente e pôr óleo em casa…ponho óleo é lógico”, defendeu.

Para a decoradora Isabel Henriqueta, que comprou em Dezembro passado o presente para o seu namorado, a celebração do 14 de Fevereiro será diferente, contando que, deverá fazer contenção de gastos. A crise forçou algumas alterações na sua forma de celebrar o do dia dos namorados.

Manuel Augusto, locutor de rádio, diz que muitos vão abdicar da compra de presentes e priorizar compras domésticas.

“Com esta crise económica que assolou o nosso país as coisas, quer no mercado formal ou informal subiram, e está cada vez mais difícil adquirir produtos e bens de primeira necessidade a um preço acessível,” lamenta.

Por mais que exista amor, com fome e sem dinheiro o amor não resiste. O radialista, que considera que as questões de ordem económica em Angola definem o percurso de uma relação amorosa, pensa que seja preciso encarar a realidade actual do país com serenidade para que os casais não se separem em função da tempestade económica.

No mercado informal um saco de 50 kg de arroz atinge 15 mil kwanzas (100 USD); a caixa de cochas de frango está acima de seis mil kwanzas; o saco de 50 quilogramas de açúcar, 25 mil kwanzas.

O largo da Escola Njinga Mbandi, centro da cidade de Luanda, é um dos lugares de referência para compra de presentes para o dia de São Valentim.

No local são comercializados flores naturais e artificais, roupa, bijouterias, peças artesanais, perfumes, calçado, quadros para retratos, entre outros produtos.

As feirantes lamentam a fraca afluência de clientes motivada pela crise financeira, porém os poucos que aparecem reclamam os preços dos produtos, que variam de 500 à 30 mil kwanzas.

Júlia António vende no local há mais de nove anos e assegura ter dificuldades de convencer os clientes a comprarem os seus produtos.

“Está difícil convencer os clientes, porque a caixa de flores está a 250 e estamos a conversar com clientes a explicar a subida do preço, mas eles não concordam e nós estamos a manter os preços,” disse.

Manuel Augusto apela ao raciocínio na gestão e a contenção de gastos na compra de presentes.

“O melhor presente não é aquele que seja tão caro, mas o que faz a diferença, que seja carregado de significado que vai fazer falta à pessoa amada,” diz Augusto.

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