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Quénia: a vida das crianças deficientes no bairro de lata Kamangware

  • Jill Craig

Foto de arquivo

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No Quénia, as crianças com problemas intelectuais são com frequência vistas como resultado de bruxaria, e dificilmente recebem a assistência adequada.

Mas os Serviços de Ajuda Católica cooperam com as Olimpiadas Especiais no bairro da lata de Kamangware, em Nairobi, para oferecer actividades e sistema de apoio para as crianças e os pais.

Viver num bairro da lata em Nairobi não é fácil. A electricidade é rara, a água potável é cara, o saneamento tem grandes problemas e a educação não tem qualidade.

Para as crianças que vivem com deficiências, a vida num bairro da lata é ainda mais dificil.

Segundo Nancy McNally dos Serviços de Ajuda Catolica estes não são os unicos desafios: “Se tem dificuldades intelectuais são ostracizadas pelas próprias comunidades, pelos próprios pais. Sabemos da existência de superstição, segundo a qual os miudos são amaldiçoados.”

Por isso, para ajudar a estas crianças e apoiar os pais, os Serviços de Ajuda Católica e as Olimpiadas Especiais iniciaram um programa para Jovens Atletas naquele bairro da lata de Nairobi.

O programa destina-se a crianças com dificuldades intelectuais, com idades compreendidas entre os dois e os sete anos, que deslocam-se, duas vezes por semana, a um centro de desenvolvimento para participar em actividades com outras crianças.

Assistentes sociais efectuam visitas domiciliárias, ajudando os pais com encorajmento emocional e técnicas de paternidade.

Ao mesmo tempo, pais como Justus Edalia têm a possibilidade de receber apoio de outros pais em situaçôes idênticas.

Segundo ele, isso é importante por que cuidar do seu filho Jason é uma responsabilidade permanente.

"Estas crianças necessitam de muito cuidado, por que não se pode deixá-las com os vizinhos, para que tomem cuidado delas”.

Os pais raramente têm folga, pois até mesmo a escolaridade é um problema.

Ann Muchiri, uma assistente social do programa Jovens Atletas, refere que muitos pais não têm condições financeiras para as escolas especiais, com serviços para crianças com deficiências.

“A maioria não tem escola para ir por que as escolas especiais são demasiado caras. Não têm condições económicas para tal e algumas escolas não os recebem”.

Edalia reconhece que o seu envolvimento na vida do filho não é normal, por que a maioria das pessoas que cuidam das crianças são mães solteiras, cujos maridos as deixaram.

“A maioria dos pais, não gosta dos filhos com carências. A maioria dos pais considera a criança com deficiências como sendo um abandonado”, refere Edalia.

Mas Edalia, que trata activamente do filho, acentua que o programa tem ajudado muito.

Existem presentemente 74 crianças no programa, mas os organizadores esperam aumentar o número.

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