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Crianças africanas com deficiente tratamento da SIDA

  • Amancio Miguel
  • Redacção VOA

Michel Sidibé, director-executivo do Onusida

Michel Sidibé, director-executivo do Onusida

Angola e Moçambique precisam de combater tabus e incrementar o investimento doméstico para acelerar o tratamento, alertam activistas.

Noventa e cinco por cento de crianças africanas que vivem com Sida não têm acesso ao tratamento anti-retroviral, disse o director executivo do Onusida, Michel Sidibé, em visita a Camarões.

Sidibé afirmou que houve uma redução de cerca de 60 por cento no número de infecções de HIV entre os menores de 15 anos, mas mais de 90 por cento de três milhões de crianças vivendo com HIV estão na África Subsaariana, onde o acesso ao tratamento é o maior obstáculo para travar a sua proliferação.

“Precisamos de reflectir sobre o tratamento para as crianças (…) temos apenas seis por cento de crianças com acesso ao tratamento e é um problema no continente; precisamos de uma nova abordagem que pode nos ajudar a atingir essas crianças onde elas estiverem", advertiu.

Em 2013, apenas 24 por cento das crianças infectadas tiveram tratamento, e 190 mil perderam a vida.

Sidibe acrescentou que outras tantas perdem a vida no silêncio em áreas onde falar de Sida continua um tabu.

Activistas de Angola e Moçambique concordam com Sidibé quanto à aceleração do tratamento pediátrico.

A Associação de Mulheres Vivendo com VIH e Sida, baseada em Luanda, promete continuar a sensibilizar os pais para aderirem e continuar o tratamento anti-retroviral dos seus filhos faces aos tabus.

“É difícil, mas continuaremos. Em Huambo, por exemplo ainda há muita discriminação”, diz Rosa Pedro, da associação que também trabalha em Bié.

Em 2013, apenas uma em cada sete crianças tiveram o tratamento antiretroviral em Angola, país com uma taxa de seroprevalência abaixo de três por cento.

Com 11.5% de seroprevalência, uma das taxas mais altas da África Austral, Moçambique é um dos países citados como tendo descentralizado o tratamento.

Contudo, além de tabus, este país debate-se com a falta de laboratórios, pessoal qualificado e financiamento.

César Mufanequisso, do Movimento para o Acesso ao Tratamento, diz que o Governo deverá pelo menos respeitar a Declaração de Abuja, segundo a qual os países devem dedicar 15% dos seus orçamentos para a saúde.

“Se dependes do vizinho para fazer o lume, corres o risco de dormir sem comer ou comer tarde,” conclui o activista que acredita que é preciso reduzir a dependência externa para acelerar o tratamento da Sida.

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