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Crescem pressões para acordo entre Frelimo e Renamo

  • Ramos Miguel

Analistas dizem que a Renamo e o Governo têm ambos maus negociadores, que não discutem questões de fundo.

Em Moçambique, analistas dizem que a sociedade civil deve aumentar a pressão sobre a Frelimo e a Renamo para chegarem, urgentemente, a acordos acerca das questões em negociação, de modo a que as eleições de Outubro próximo se realizem em ambiente de paz, deixando os assuntos de natureza militar para depois do escrutínio eleitoral.

Segundo analistas, a Renamo e o Governo têm ambos maus negociadores, que não discutem questões de fundo, pelo que tudo deve ser feito para a realização das eleições, porque os seus resultados podem ser um sinal positivo para se saber qual é a orientação dos moçambicanos na escolha do Presidente da República e dos deputados para o parlamento.

Entendem que isso vai aligeirar algumas situações, porque haverá uma nova legitimidade que vai sair das urnas e isso pode facilitar a resolução das questões militares pendentes.

Para o professor catedrático, Gilles Cistac, a sociedade civil deve pressionar as partes a abandonarem a sua pouco consequente estratégia negocial e a definirem prioridades, porque o tempo está a ficar cada vez mais escasso.

Refira-se que as negociações estão neste momento encalhadas, assistindo-se a uma escalada de ataques da Renamo, sendo as forças governamentais vistas como sem eficiência combativa, ao mesmo tempo que o candidato da Frelimo às presidenciais, Filipe Nyussi é tido como quem não esteja interessado numa solução negociada que dê um papel relevante à Renamo nas Forças Armadas.

As Forças Armadas moçambicanas são ainda um exército pequeno porque, depois do Acordo Geral de Paz, assinado em 1992 entre o Governo e a Renamo, não foi possível criar um exército de 30 mil homens conforme estabelecia o referido acordo, já que não houve voluntários das duas partes.

O analista e jornalista Paul Fauvet, diz que para além disso, o Governo mantém na zona de tensão, na Gorongosa, um pequeno contingente militar, para estabelecer uma paz relativa.
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