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Antigo PM de Cabo Verde desconhece acordo de cavalheiros da CPLP

  • Alvaro Ludgero Andrade

Carlos Veiga

Carlos Veiga

Carlos Veiga é a favor de Portugal apresentar candidato a secretário-executivo.

O primeiro-ministro de Cabo Verde por altura da criação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), em 1996, desconhece qualquer "acordo de cavalheiros" que impede Portugal de apresentar um candidato ao cargo de secretário-executivo da organização.

Carlos Veiga diz que a CPLP tem muito que se preocupar e deve ser privilegiada a competência do candidato.

Os ministros dos negócios estrangeiros e das relações exteriores da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) reúnem-se na próxima quinta-feira, 17, em Lisboa para, entre outros temas, analisar a escolha do próximo secretário-executivo da organização que está envolta em polémica.

Enquanto o Governo português já anunciou que vai apresentar um candidato ao cargo, por ser agora a sua vez, de acordo com a rotatividade em prática desde a criação da CPLP em 1996, os demais países dizem haver um acordo de cavalheiros, que exclui Portugal de apresentar um candidato a secretário-executivo por ser sede da organização.

Antigos secretários-executivos da CPLP, como o angolano Marcolino Moco e o cabo-verdiano Luís Fonseca, dizem desconhecer o tal acordo, mas o actual titular, o moçambicano Murade Murargy, afirmou ter ouvido falar da existência do acordo.

Os governos do Brasil, Angola, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe também defendem o acordo e o primeiro-ministro são-tomense Patrice Trovoada revelou que o seu país vai apresentar um candidato ao cargo.

Em declarações à VOA, o primeiro-ministro de Cabo Verde na altura da criação da CPLP Carlos Veiga diz desconhecer qualquer acordo de cavalheiros e não sustenta a tese de que Portugal não poder concorrer.

“Não tenho ideia de que tenha acontecido e não vejo muita lógica porque o facto de Portugal ter aceite ser sede da CPLP foi algo normal e até desejado porque foi o país que mais puxou pela criação da CPLP e não creio que esta seja uma razão agora retirar a Portugal a possibilidade de indicar um secretário-executivo”, afirmou Veiga, para quem “deve-se procurar o melhor para CPLP e basear-se em regras que não são escritas não é bom para nenhuma organização”.

O antigo primeiro-ministro considera que neste momento a CPLP tem muitos outros problemas com que se preocupar e que o próximo secretário-executivo deve ser “o melhor candidato”.

Veiga ainda diz que, seguindo essa lógica, "a sede também devia ser rotativa, o que não tem lógica nenhuma além de enfraquecer a organização".

Na reunião desta quinta-feira, 17, os ministros dos Negócios Estrangeiros da CPLP deverão aprovar o Relatório Final sobre a Nova Visão Estratégica, um documento que contém uma avaliação sobre o trabalho realizado pela organização e que propõe um conjunto de linhas de orientação para a próxima década.

Os chefes da diplomacia deverão igualmente dar o seu acordo ao projeto de Declaração dos Chefes de Estado e de Governo sobre a Nova Visão Estratégica, com vista à sua aprovação na Cimeira a realizar-se no Brasil no Verão.

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