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Corrupção afasta brasileiros das urnas

  • Patrick Vaz

Mais de 25 milhões de eleitores brasileiros não compareceram às urnas para votar na primeira volta das eleições municipais no passado domingo, 4.

O Presidente Michel Temer mostrou-se incomodado com a ausência dos brasileiros nas urnas

O Tribunal Superior Eleitoral considerou normal o percentual de abstenção, apesar de o número ter sido superior aos pleitos municipais de 2012 e de 2008.

Michel Temer disse que essas abstenções e os votos brancos e nulos mostram a "necessidade indispensável" de o Brasil passar uma reforma política no Congresso.

“Há uma decepção sem dúvida alguma com uma classe política em geral e a abstenção foi realmente muito significativa. Digamos que é um recado, uma mensagem que se dá à classe política brasileira para que reformule eventuais costumes inadequados”, disse.

Só em São Paulo, 34,7% dos eleitores aptos a votar não foram às urnas ou votaram em branco ou nulo.

O cientista político Denisson Silva afirma que a descrença da população com a classe política é antiga e que o número alto de abstenções não surpreende.

“A descrença da população na política não é de agora, é de muito tempo. Não é nem do nosso período democrático e possivelmente nem tem origem na ditadura militar. O histórico no Brasil dessa descrença da população na classe política se reforça quando você tem dois, três anos seguidos de repercussões midiáticas de corrupções, de prisões de políticos. Isso fica mais visível. Descrença de um modo geral a população já tem em nossos políticos. Esses números não nos revelaria isso agora”, ressaltou.

Já o cientista político Lucas Cunha avalia o cenário político para as eleições presidenciais em 2018. Ele entende que a polarização entre petistas e tucanos deve perder força com o actual momento no Brasil.

“A partir dos resultados das eleições de 2016 dá para observarmos algumas tendências. Há um enfraquecimento do PT, mas isso não quer dizer que o contexto de 2018 já é uma realidade concreta. É uma disputa que já está em aberto. Diria que está mais aberta do que em outras eleições. Daqui a dois anos, vai ser uma eleição mais competitiva e eu penso que ela vai estar menos polarizada entre o PT e o PSDB”, concluiu Cunha.

Nas eleições de domingo, o partido do Presidente Temer, PMDB, vou o partido que obteve maior número de câmaras municipais, como é tradicional, mas o PSDB foi aquele que consegiu ganhar nas principais cidades.

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