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Corpos de Cassule e Kamulingue ainda por entregar

  • Manuel José

Familiares dizem que nada lhe é dito sobre o que aconteceu aos corpos

Dois anos após o desaparecimento e assassinato dos activistas Isaías Cassule e Alves Kamulingue a família diz que continua sem saber do paradeiro dos corpos.


Várias pessoas foram presas pela polícia por alegado envolvimento nos crimes e espera-se um julgamento ainda este ano.

Os familiares dizem-se desesperados com a situação e apelam ao Governo para que devolvam as ossadas, para realização de enterro condigno.

Horácio Essule, tio de Alves Kamulingue e Mariano Cassule irmão de Isaías Cassule disseram à Voz da América que o Governo tem que apresentar a todo custo onde estão as ossadas de seus ente queridos, para a realização de um funeral condigno, como manda o costume africano.

"Enquanto não nos apresentarem os ossos dos nossos ente queridos nos não vamos parar, estamos a sentir o peso", desabafaram.

"O Governo não está a agir bem até agora não dá uma resposta, eles têm que nos mostrar onde enterraram o nosso irmão, eles dizem que foram mortos mas nós não vimos o corpo, nós queremos os ossos para poder enterrar porque sem os ossos não acreditamos que eles foram mortos", disse Mariano Cassule

Mariano Cassule diz terem sido enganados quando lhes foi prometida uma casa no Zango 3.

"Não recebemos as casas prometidas, só nos mostraram as casas tinham dito que dariam as chaves em uma semana já passou um mês e nada de chaves", contou.

O mesmo aconteceu com os familiares de Alves Kamulingue.

Horácio Essule diz estar a espera até hoje para ter acesso a casa no Zango 3.
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Segundo Essule no mês passado mostraram-lhes umas casas no Zango 3, com promessa de que teriam as chaves na mão tão logo terminassem as obras no espaço de 3 dias, um mês depois continuam à espera das chaves.

Outra promessa que segundo o tio de Kamulingue ficou por isso mesmo foi o de garantirem a matrícula escolar aos filhos dos dois activistas.

"Nós próprios é que tivemos que fazer tudo porque eles não dizem nada, garantia de escola é só verbal, na teoria, na prática nada, então para os nossos netos não perderem o ano tivemos que desenrascar para eles estudarem", continuou.

Neste momento, diz Essule, as coisas em casa estão cada vez mais difíceis com a falta de dinheiro, o que força a decisões difíceis.

"Ou pagamos a renda ou pagamos as propinas dos miúdos, ou procuramos comida para eles comerem”, acrescentou.

Quanto ao processo, de acordo com o advogado David Mendes houve já a instrução contraditória na passada Segunda-feira, agora o juiz vai fazer o despacho de pronúncia para num espaço de dois a três meses acontecer o julgamento do caso Isaías Cassule e Alves kamulingue.

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