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Copa do Mundo: Brasil não está preparado, dizem analistas

  • Maria Cláudia Santos

Na semana do evento, a maior cidade brasileira, que sedia a cerimônia de abertura dos jogos, está às voltas com uma greve do transporte metroviário.

Obras inacabadas, ameaças de greves no setor de transporte e manifestações revelam, para muitos analistas, que o Brasil não ficou pronto para a Copa do Mundo, que começa na próxima quinta-feira (12) no país.


O Jornal o Estado de São Paulo, um dos maiores do Brasil, garante que, apesar de o discurso oficial ser de aparente tranquilidade, nos bastidores os dirigentes da FIFA estariam certos de que o Brasil não está preparado para o mundial e que eles jamais vão poder permitir uma nova Copa do Mundo nesta situação.

Na semana do evento, a maior cidade brasileira, que sedia a cerimônia de abertura dos jogos está às voltas com uma greve do transporte metroviário. O movimento paralisa São Paulo e gera manifestações violentas.

Sem acordo com o governo, o presidente do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, Altino Melo, nega a intenção de prejudicar o mundial, mas não demonstra disposição para colocar fim à greve se as reinvindicações da categoria não forem aceitas.

“O Sindicato não quer acabar com a Copa. Eu sou um torcedor de futebol, sou Santista, gosto do Neymar e vou torcer pelo Brasil. O que eu estou dizendo é o seguinte: tem a Copa, mas tem que ter dinheiro também para o trabalhador. Não podem ser só gastos com Itaquerão, só com a Copa, só com grandes eventos. Tem que pensar também no que a gente acha que é principal: saúde educação e transporte,” afirma Melo.

“Nossa intenção não é, nem nunca foi, encerrar ou acabar com a Copa. Muito pelo contrário, quero assistir à Copa em casa com tranquilidade, mas quero que o governo entenda o lado do trabalhador, que também olhe para o trabalhador, não olhe só para a FIFA,” completa.

Outro fator de possível desestabilização do mundial no Brasil é a ameaça de manifestações organizadas por brasileiros revoltados com os altos gastos com o campeonato, enquanto o país sobre com a falta de verbas em setores como transporte, saúde e educação. Vários movimentos estão sendo convocados, via redes sociais, para as capitais brasileiras a partir desta quinta-feira.

Em cidades como Belo Horizonte, o temor com as manifestações é tão grande que as faixadas de revendedoras de veículos, totalmente depredadas em outros protestos, foram cobertas por tapumes. Em algumas foram colocados contêineres para impedir o acesso à entrada das lojas. Um esquema de proteção que lembra cenários de guerra.

Apesar de toda a ameaça de tumultos, a Copa vai começar sem que o país tenha votado a prometida lei mais rígida contra ação descontrolada de manifestantes. Por decisão do governo, os parlamentares da base aliada à presidente petista Dilma Rousseff, não levaram à diante a votação do projeto que puniria mais duramente o que estava sendo chamado de atos de vandalismo durante a Copa do Mundo.

O projeto incluía no Código Penal Brasileiro a tipificação para quem destruir patrimônio público e privado em protestos. Durante manifestações, casos de lesão corporal, também, teriam as penas aumentadas, assim como de homicídios.

O temor do governo de passar uma mensagem de ser contrário às manifestações teria impedido que o projeto prosseguisse. Justificativa que não foi aceita pelo relator da proposta Pedro Taques, do PDT do Mato Grosso. Para ele, a ideia não era impedir nada, só evitar o quebra-quebra que já tem sido registrado nas manifestações.

“Infelizmente, o governo não desejou aprovar este projeto. Nós não podemos proibir as manifestações. Elas devem ser incentivadas. Mas, nós não podemos permitir que baderneiros criminosos queiram se valer das manifestações para ofender a integridade física, ofender o patrimônio público e particular.”

O líder do Partido dos Trabalhadores (PT), Senador Humberto Costa (PE), explica que o governo considerou o projeto contra excesso nas manifestações desnecessário. “Já temos no nosso Código Penal mecanismos por meio dos quais podemos reprimir perturbações da ordem pública, crimes como depredação de patrimônio público e privado”.

Além das greves, das manifestações, a falta de preparo brasileiro para o evento esportivo fica, para analistas, evidenciada na não de conclusão de algumas obras.

Parte dos estádios ficou pronta nos últimos minutos do segundo tempo. Mesmo assim, até locais, como a Arena Corinthians, apelidada de "Itaquerão", onde será a abertura da Copa, obras de última hora são feitas nas arquibancadas, camarotes, setores de energia e som.

Mas, o que mais deixou a desejar mesmo foram as obras de mobilidade em várias capitais. Em boa parte, os novos sistemas de transportes só vão funcionar parcialmente.

Uma das situações que mais chamam a atenção é a de Cuiabá, capital do Mato Grosso. Lá, das 56 obras de mobilidade prometidas, só 16 ficaram prontas. O VLT (Veículo leve sob Trilhos), que ofereceria linhas ligando o aeroporto à região central do Estado, não ficou pronto. Só metade da obra foi feita. Para não chamar a atenção dos turistas, nos canteiros inacabados, ondem deveriam estar trilhos foram colocadas gramas verdes.
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