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"Congresso do MPLA passou ao lado de temas sensíveis", dizem analistas


Presidente angolano, José Eduardo dos Santos

Presidente angolano, José Eduardo dos Santos

As eleições autárquicas e a sucessão presidencial foram alguns dos temas que ficaram adiados para o Congresso ordinário de 2016.

"MPLA - Revitalizar as Estruturas para Fortalecer o Partido", foi o lema do V CongressoExtraordinário do MPLA, realizado de 4 a 6 de Dezembro.

O conclave, segundo analistas, passou ao lado de temas sensíveis, tanto para formaçãopolítica, quanto para o país, tais como: As eleições autárquicas e a sucessão presidencial.

Estes foram assuntos reservados para o Congresso ordinário que terá lugar em 2016, antesdas eleçiões gerais.

Comentando o lema do Congresso extraordinário do MPLA, o Jurista Pedro Kaparakataconsiderou desnecessária a revitalização das bases do partido dos camaradas, já que, nocontexto sócio-político actual não se apuram as vontades dos cidadãos e cita como exemploa falta de discernimento de muitos membros do partido com maior representação noparlamento.

“Há meios próprios para converter a pessoa em militante contra sua vontade. E podemos

apresentar mil pessoas como sendo militantes e não são. E não há nada que vai contraria que

eles são militante, por que a ciência já permite apresentar estas pessoas independemente da

vontade. Já não se apura a vontade das pessoas”.

O Jurista e membro do Centro Populorium Progressio Domingos das Neves tem uma visão

diferente. O analista vê no lema central que orientou o conclave do MPLA uma questão

estratégica da força política que governa Angola, para fazer face aos novos desafios

políticos. Das Neves almeja que as recomendações saídas do Congresso deiam outro brilho,

não apenas ao partido, mas, à todo país.

“A temática que norteiou o memso congresso faz parte daquilo que são as estratégias do

memso partido. Como intenção é muito boa, esperamos que as conclusões das discussões

deiam outro fulgor naquilo que são as necessidades da nação”, aflorou.

Sobre as eleições autárquicas Domingos das Neves diz haver falta de vontade política para

sua realização. Das Neves reconhece a necessiade de se criar pressupostos para o efeito, mas

salienta que esta não é uma tarefa exclusiva do MPLA.

A abertura de uma agenda de discussão pública sobre o assunto, que aposterior seria levada

ao parlamento é fundamental, dai o Jurista chamar atenção para a questão pré-política e

partidária que o assunto requer.

“As eleições autárquicas são previstas pela constituição, eu acho que aquilo que flata são

vontad epolítica para materialização das mesmas. É verdade que é preciso criar pressupostos

de base para que isto aconteceça, mas estes não podem ser condicionados só pelo MPLA. As

eleições autárquicas dizem respeito á toda nação, não só aos partidos políticos”, explicou.

A sucessão presidencial é um dos temas fortes e sensíveis reservados para o Congresso

Ordinário de 2016. O assunto gera uma enorme expectativa tanto a nível interno do MPLA,

quanto dos vários foruns nacionais.

O analista Domingos das Neves julga que a manutenção da presidência do partido dos

camaradas não foi a motivação do V Congresso Extraordinário, por isso prefere aguardar

pelo conclave ordinário, já que a decisão cabe apenas ao próprio partido.

“É lógico que não se falou neste congresso porque não era essa a motivação do congresso.

A questão da manutenção da presidência do MPLA isto é uma questão que tem a ver

internamente com o MPLA”.

A este respeito Pedro Kaparakata entende a manutenção da liderança do MPLA está

dependente da vontade do seu presidente. O ex- professor da Universidade do Catambor, a

antiga Escola de Formação Política do MPLA, advinha uma crise interna na “força

dirigente da nação, que poderá afectar o país inteiro.

“ A saída vai depender unicamente da vontade dele, disse.

Para o Advogado “o momento já não está a favor do MPLA, relativamente a uma crise

interna. A crise será interna, no sentido de lutar para o lugar cimeiro do MPLA, e pode se

estender em todo país.”

Neste sentido, o Jurista entende que a maior preocupação em relação ao partido que sustenta

o Executivo não é a situação actual, mas o “cenário” pós José Eduardo dos Santos. Pedro

Kaparakata pensa que a nível do MPLA tudo “gravita” em torno do seu presidente, por

isso fala em culto à personalidade e à título de exemplo cita uma suposta exaltação durante o

V Congresso Extraordinário.

Com a concentração do poder político e partidário numa única o analista antevê um cenário

dramático e inglório.

“Se todo poder está concentrado numa única pessoa, poder político a nível partidário, esta

pessoas afastando-se há logo uma crise de sucessão a nível do MPLA e havendo crise a

nível do MPLA tem reflexos a nível de todo país. Logo, vamos viver uma situação

provavelmente dramática e não sabemos de facto qual vai ser a saída. Podemos ter um fim

inglório dentro de algum tempo. Isto não está para muito tempo, porque o homem está

limitado no tempo”, esclareceu.

Em alguns círculos da sociedade angolana cogita-se a indicação de José Filomeno dos

Santos como o sucessor de José Eduardo dos Santos. Olhares atentos dão conta de uma

projecção interna e discreta do filho do presidente do MPLA, que também é o actual gestor

do Fundo Soberano de Angola.

José Filomeno já é membro do Comité Central do MPLA, a estrutura forte do partido onde

são discutidos os assuntos mais candentes sobre a vida política do partido e, por outro lado

partem grande parte das orientações para os membros do Executivo.

Pedro Kaparakata pensa que a sucessão do presidente pelo seu filho pode ser um indicativo

de crise dentro da estrutura dos camaradas.

“Se virá ou não ser o filho do presidente isto é mais um indicativo que poderá haver uma

crise. Porque, a ser o filho do presidente, entre eles dentro da estrura do MPLA, pode haver

forças que não vão concordar com esta situação e a partir dai desencadeia-se a crise no

MPLA e vai ter reflexo em toda sociedade”.

Outro assunto pelo qual o MPLA não se debruçou neste congresso tem a ver com os actos

de intolerância política que envolvem os seus militantes. Uma situação que acontece um

pouco por todo país.

Kaparakata afirma que a intolerância não é problema do MPLA, enquanto partido, mas de

cada elemento que compõe a estrutura partidária, neste sentido aponta exemplos a nível das

outras forças políticas do país.

Na abertura do V Congresso Extraordinário, o presidente do MPLA, José Eduardo dos

Santos, manifestou preocupação em relação a necessidade de se reforçar o uso das novas

tecnologias de informação e comunicação no partido.

Dos Santos indicou que se vive actualmente uma nova era da democracia, designada de

“democracia directa electrónica”.

“Através destes meios, devemos esclarecer a opinião pública, aumentar e consolidar a

consciência dos que nos apoiam, conquistar os indecisos, e, acima de tudo, formar os nossos

militantes para que tenham mais e melhor participação na vida política nacional. Foram já

realizados investimentos na aquisição de meios e procedeu-se à recuperação do parque

informático do Partido em todos os Comités Provinciais e em alguns Comités Municipais”,

disse.

O inquérito sobre o bem-estar da População feito há alguns anos dava conta que apenas 0,3

porcento da população angolana tinha acesso á internet e o índice de pessoas que dispunham

de um computador era bastante baixo. A este respeito Domingos das Neves pensa que a ideia

do MPLA em investir nas novas tecnologias é positiva ao mesmo tempo que representa um

desafio para o país.

A julgar pelo baixo índice de pessoas instruídas e com capacidade de domínio das TICs,

seria primordial para o MPLA um investimento “na capcitação das pessoas” para garantir

a eficácia na exploração deste meio de comunicação.

Por seu turno Pedro Kaparakata diz que a questão do uso das novas Tecnologias de

Informação e Comunicação, noutrora vista pelo MPLA como arma contra si, tem sido um

instrumento agora valorizado pelo partido dos camaradas.

Para os analistas, a organização interna do partido antes do congresso de 2016, que

perspectiva os desafios para as eleições gerais de 2017 foi uma medida acertada. Pedro

Kaparakata diz que esta organização faz parte de uma estratégia interna de avaliação do

partido.

Domingos das Neves espera que em 2016 o MPLA coloque na agenda do partido a questão

das eleições autárquicas, que na sua visão, dependem da boa vontade política.

Foi acertado o facto de procurar arrumar a casa internamente, ter isto como prioridade para

depois, acho que até num outro congresso, nos próximos tempos, creio que para além do

balanço que se vai fazer daquilo que foram as expectativas do congresso extraordinário, o

quinto, penso que poderão abordar também temáticas, pelo menos é o que eu espero, que

dizem respeito à nação, já que no ano seguir vamos ter eleições”.

O congresso, subordinado ao tema "MPLA - Revitalizar as Estruturas para Fortalecer o

Partido", teve como principais temas: Os desafios políticos eleitorais; O diagnóstico da vida

interna do partido e a sua inserção na sociedade.

Os trabalhos foram conduzidos por quatro comissões, que analisaram o relatório do Comité

Central do MPLA, a tese sobre o Melhoramento da Vida Interna e Maior Inserção na

Sociedade, a tese sobre o MPLA e os Desafios Eleitorais e de Ajustamentos Pontuais aos

Estatutos do Partido.

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