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Angola/RDC: "Conferência dos Grandes Lagos é um 'clube de amigos' ", diz analista

  • Redacção VOA

José Eduardo dos Santos, Presidente de Angola e do MPLA

Investigador defende envolvimento da sociedade civil na solução dos problemas da República Democrática do Congo.

A Conferência da Região dos Grandes Lagos, presidida por Angola, não pode resolver os problemas na República Democrática do Congo (RDC) porque não passa de “um clube de amigos”, disse o investigador angolano Francisco Tunga Alberto.

Alberto diz que o facto de os dois países partilharem uma longa fronteira e integrarem populações com laços de sangue fazem de Angola um dos países interessados na pacificação daquele país, tal como no passado.

As tensões cada vez mais crescentes na República Democrática do Congo (RDC) com a recusa do Presidente Joseph Kabila em deixar o poder, como impõe a Constituição da República, preocupam as autoridades angolanas, frente à possibilidade de a crise provocar uma onda de refugiados que poderão procurar abrir em Angola.

O investigador angolano Francisco Tunga Alberto afirma que as relações históricas e culturais entre os dois países fizeram de Angola parte integrante do actual conflito que opõe o presidente Kabila e as principais forças da oposição .

Na RDC vivem actualmente muitos cidadãos angolanos que hoje se identificam tanto como angolanos como congoleses, lembra Tunga Alberto, para quem os problemas de um país afectam directa ou indirectamente outro país.

O investigador e activista cívico que viveu longos anos na RDC como refugiado da guerra colonial, defende, entretanto, que a pacificação daquele país deve envolver figuras e organizações da sociedade civil, incluindo as de Angola, e não apenas políticos.

Pra ele, esta é a única forma capaz de evitar a desintegração da RDC a favor das grandes potências ocidentais por intermédio do surgimento de organizações militares e juvenis fora do controlo das autoridades.

Tunga Alberto classifica a Conferência da Região dos Grandes Lagos, liderada actualmente por Angola, como “um clube de amigos”, cujo interesse é fomentar a perpetuação no poder das actuais lideranças políticas em vez de resolver os problemas internos.

O Governo angolano tem manifestado particular preocupação sobre a tensão reinante no país, tendo apoiado recentemente a manutenção de Joseph Cabila na presidência do país por mais um ano.

Luanda tem negado qualquer envio de militares para apoiar o regime de Cabila ,mas admitiu a presença de efectivos militares e da polícia daquele país em academias nacionais para formação.

Entretanto, a tensão política, que na última semana caracterizou a conjuntura na RDC, na sequência de dois dias mortíferos por altura do fim do mandato do Presidente Joseph Kabila, foi descrita, como sendo calma, particularmente na capita, Kinshasa.

Os bispos católicos da Conferência Episcopal Nacional do Congo, mediadores nas discussões entre o poder e a oposição, terão convencido a oposição a aceitar a continuação no poder de Joseph Cabila até 2018 na condição de o abandonar concluido esse prazo.

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