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Condenações, acusações e dúvidas no "caso Kalupeteca"

  • Redacção VOA

José Eduardo dos Santos

José Eduardo dos Santos

PR condena e MPLA e Unita trocam acusações.

O Presidente da República repudiou o assassinato de polícias no Huambo e em Benguela, por elementos da seita Igreja do Sétimo Dia a Luz do Mundo. Entretanto, as autoridades não divulgam número de civis mortos durante o confronto, enquanto a Unita fala em centenas de vítimas.

Foram hoje a enterrar no Huambo os nove elementos da Polícia Nacional mortos na passada semana. A cerimónia, segundo informações disponíveis, foi acompanhada pelas autoridades do Governo e da sociedade civil .

Entretanto, as autoridades do Governo no Huambo ainda não revelaram o número de civis que se acredita ter havido ao longo da refrega ou durante a retaliação da Polícia Nacional.

O responsável do Instituto de Desenvolvimento da Democracia , Faustino Mumbika diz haver manipulação que está a ser passada para o público sobre a realidade dos acontecimentos.

Em Luanda o Presidente José Eduardo dos Santos considerou que a seita constitui “uma ameaça à paz e à unidade nacional” e que a sua doutrina constitui uma perturbação à ordem social.

Num comunicado de imprensa divulgado hoje, 20, o Chefe de Estado descreve os seguidores da seita como “indivíduos perigosos que devem ser rapidamente capturados e entregues à justiça”.

Por seu turno a Unita rejeitou, em comunicado , qualquer tentativa da sua associação à seita conhecida também por Kalupeteka, em referência ao seu líder, e exige que seja feita uma investigação profunda e imparcial dos acontecimentos ocorridos nas províncias de Benguela, Bié e Huambo.

Na sequência da acusação do MPLA que disse haver forças por detrás dos autores dos assassinatos dos elementos da Polícia Nacional, o Galo Negro considerou-as de “ irresponsáveis e de má fé”, em se referindo à Unita, ao mesmo tempo que diz que a acusação constitui uma diversão do Executivo em face à aprovação amanhã da controversa Lei do Registo Eleitoral.

A direcção da Unita diz ainda que a seita vem funcionando à margem da lei há alguns anos, com o beneplácito das autoridades locais com quem desenvolveu, desde 2011, laços privilegiados ao abrigo dos quais o cidadão Kalupeteka beneficiou de bens materiais e espaços de intervenção nos órgãos de comunicação social públicos.

Alcides Sakala, da Unita, reiterou que há centenas de mortos.

A Igreja do Sétimo Dia a Luz do Mundo foi considerada hoje pelo responsável máximo da Igreja Adventista em Angol, Mateus Vinte como sendo anticristo, supostamente por não respeitar os princípios da Bíblia.

Mateus Vinte disse em conferência de imprensa que os seguidores de Kalupeteca são conhecidos por inverterem a ordem convencional do tempo, convertendo os dias por noites e trocando a numeração dos dias da semana.

A seita apregoava que o mundo acabaria em 2015 e incitou os fiéis a deixar os seus haveres e a abandonar as suas casas para se fixarem nas montanhas. Kalupeteca está actualmente presente nas províncias do Huambo, Benguela, Bié, Huíla, Kuanza-Sul e Luanda

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