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Comissariado da ONU para os Direitos Humanos quer investigar denúncias de vala comum em Moçambique

  • Redacção VOA

Cadáveres fotografados por jornalistas em Sofala

Cadáveres fotografados por jornalistas em Sofala

Escritório revela à VOA estar em contacto com as autoridades.

O Escritório do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos (Ohchr, em inglês) disse estar em contacto com as autoridades moçambicanas depois de ter recebido alegações sobre uma vala comum em Gorongosa.

“Temos, de facto, recebido alegações sobre uma vala comum na Gorongosa, no entanto, ainda não pudemos verificar essas alegações por falta de acesso ao local”, disse aquele órgão com sede em Genebra por email a pedido da VOA nesta quarta-feira, 4.

No entanto, o Escritório do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos afirma estar “em contacto com as autoridades para obter mais informações sobre estas alegações muito graves e solicitar o acesso à área onde foi denunciada a existência da vala comum”.

A denúncia da existência de uma vala comum na zona 76, no posto administrativo de Canda, interior da Gorongosa, foi feita por camponeses na quarta-feira, 27.

Denúncias e desmentidos

As mesmas fontes disseram que vários corpos, alguns já em ossadas, estavam estatelados numa antiga escavação a céu aberto, de onde se extraía saibro para as obras de reabilitação da N1, a principal estrada de Moçambique.

Na sexta-feira, 29, o porta-voz da Polícia da República de Moçambique (PRM) Inácio Dina afirmou ter enviado uma equipa ao local que não encontrou qualquer vala comum.

No fim de semana, um grupo de quatro jornalistas deslocaram-se ao local mas não conseguiram chegar à zona indicada pelos camponeses por estar bloqueada por forças da polícia e da segurança.

Entretanto, os repórteres encontraram e fotografaram cerca de 15 corpos já em decomposição nas imediações do local.

Uma equipa do Movimento Democrático de Moçambique (MDM) também deslocou-se ao local e, de acordo como seu presidente Daviz Simango, não conseguiu chegar ao local devido à forte presença policial e militar.

Simango, que disse ter ficado chocado com as fotos, pediu uma investigação às denúncias.

Ontem, 3, a PRM voltou a dizer não ter encontrado qualquer vala comum, mas continua a bloquear o acesso ao local.

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