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EUA mudam estratégia de combate ao terrorismo em África

  • Redacção VOA

Uma unidade dos SEALS em treino (Arquivo)

Uma unidade dos SEALS em treino (Arquivo)

Especialistas realçam que a administração americana passou a optar por operações de captura em vez de assassinatos de terroristas com drones.

Os Estados Unidos da América lançaram recentemente dois ataques contra dois esconderijos de alegados terroristas na Somália e Líbia.

Na Somália os Navy Seals tentaram prender um líder sénior do grupo terrorista radical al-Shabab. Na Líbia as forças americanas capturaram um membro sénior da al-Qaida, figura há muito procurada pela sua acção no atentando bombista das embaixadas americanas no Quénia e na Tanzânia há 15 anos.

Analistas da RAND Corporation em Washington comentaram as estratégias da administração Obama na luta contra o terrorismo e afirmam que os recentes ataques demonstram uma evolução na política americana – que optou em capturar os terroristas em vez de operações de assassinatos através de ataques de drones.

O alegado operacional da al-Qaida, Abu Anas al-Libi já se encontra no território americano, apos vários dias de interrogatório num navio de guerra no Mediterrâneo.
Angel Tabasa é cientista político na Rand Corporation especializado sobre a radicalização em África. Para ele, os incidentes noutras partes do mundo têm mostrado o quanto é importante captura de terroristas. Por exemplo na Indonésia, o governo tem tido sucesso na perseguição dos membros do grupo islâmico armado Al Jamaah Islamyia.

"A polícia indonésia e os serviços secretos têm tido sucesso em desmembrar grupos e capturar os seus líderes. Eles afirmam que 90 por cento de informação que obtêm acerca dos grupos vêm de pessoas que foram capturadas ou que colaboraram com as autoridades, ou que se desertaram. A prática dos Estados Unidos em usar os drones para apanhar terroristas tem sido contra produtiva – uma vez que se mata essas pessoas, não sem a capacidade de recolher alguma informação.”

Alguns analistas afirmam que as experiencias do Afeganistão e da Indonésia têm mostrado que o envolvimento militar directo dos Estados Unidos, incluindo a colocação de tropas directamente em zonas de conflito, pode reforçar o apoio das populações locais aos extremistas radicais, especialmente em regiões de maioria muçulmana.

Linda Robinson é analista de política internacional da RANAD com especialidade em operações de forças especiais e conjuntas. Ela afirma haver alternativas para intervenções de alto ao alto nível dos Estados Unidos, e dá como exemplo, que Washington pode trabalhar com outros países que partilham um mesmo interesse em eliminar os terroristas na região onde se encontram.

“Podem oferecer apoio directo, tal como o reconhecimento aéreo. Podem combinar os serviços de inteligência na recolha de informações. Podem acompanhar os países anfitriões ou as forças parceiras a localizarem o alvo, mas deixa-los a perseguir e atingir o alvo. Portanto há uma variedade de acções. Podem ficar por detrás das operações e assegurar o treino do pessoal, na preparação dos planos, no aconselhamento dos ministérios…etc.”

Robinson adianta que as forças especiais são actores chaves nas parcerias e têm jogado um papel importante no treino das forças na Somália, Quénia, Uganda e Etiópia contra os extremistas da al-Shabab na África Oriental. Essas mesmas forças têm desempenhado uma acção importante no reforço da defesa civil em zonas rurais do Afeganistão.
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