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Com congresso à porta FNLA continua dividida

  • Coque Mukuta

Fracassaram tentativas para diálogo entre Lucas Ngonda e Ngola Kabango

Tudo indica que o próximo congresso da FNLA não vai resolver as divisões que afectam este histórico partido angolano.

O congresso está agendado para o próximo dia 25 de Janeiro e apesar de esforços de alguns militantes não há avanços em resolver o diferendo que opõe as duas facções do partido lideradas por Lucas Ngonda e Ngola Kabango.

As duas alas continuam a acusar-se mutuamente de serem responsáveis pela divisão e não quererem o diálogo para a reconciliação que deveria ocorrer no congresso a iniciar no próximo dia 25.

Recorde se que o tribunal supremo de Angola decidiu que o presidente do partido é Lucas Ngonda mas Ngola Kabango considera ser ele o dirigente eleito pelos militantes.

Lucas Ngonda

Lucas Ngonda

Lucas Ngonda já afirmou que o congresso será realizado sem ou com a presença do Ngola Kabango.

Nimi a Nsimbi Vice-presidente da ala do Ngola Kabango e coordenador da Comissão de reconciliação da família FNLA, acusa contudo Lucas Ngonda de fugir ao diálogo.

“Nós estamos dispostos para dialogar, contactamos o Senhor Lucas Ngonda e combinamos que teríamos um encontro e o senhor Lucas Ngonda mateve-se no silencio até aos dias de hoje”, disse.

Ngola Kabango

Ngola Kabango

A posição do Vice-presidente da ala do Ngola Kabango e coordenador da Comissão de Reconciliação da família FNLA da ala liderada por Kabangu foi reforçada por João Roberto Soki, membro da Comissão Política Permanente daquele partido. Também docente universitário, Soki lembrou que a decisão do tribunal em dar a liderança a Lucas Ngonda não ajudou o partido.

“Será que o acordam do tribunal que atribui a liderança ao Luca Ngonda resolve o problema? Ou só agrava?”, interrogou.

“Por isso nós exercendo o nosso papel decidimos estender as mãos” acrescentou.

A Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) é o quinto maior partido angolano com representação parlamentar, tendo eleito dois deputados nas eleições de 2012, as terceiras no país.

A crise interna desta histórica força política angolana teve início em finais de 1999, quando a facção liderada por Lucas Ngonda realizou um congresso que nunca foi reconhecido pela ala de Holden Roberto, líder histórico do partido.

Nos anos seguintes, a liderança desta força política foi reclamada por Holden Roberto e Lucas Ngonda, situação que apenas foi ultrapassada em Abril de 2004, quando os dois dirigentes, numa cerimónia realizada na Assembleia Nacional, celebraram um acordo de reconciliação.

Este acordo previa a realização de um congresso em 10 meses, prazo que não foi cumprido por Holden Roberto, alegando falta de condições financeiras, o que levou a uma nova divisão interna, que ainda hoje se mantém.

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