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China Nega Colonizar África

  • Ana Guedes

Secretária de Estado Hillary Clinton, discursando em Dar-es-Salaam

Secretária de Estado Hillary Clinton, discursando em Dar-es-Salaam

A parceria estratégica com África nada tem a ver com neocolonialismo é sim baseada nos princípios da sinceridade, amizade e benefício mútuo em igualdade de termos

A China menosprezou esta terça-feira afirmações feitas pela secretária de estado norte-americana, Hillary Clinton, sobre a presença chinesa em África e o aparecimento ali de um novo colonialismo.

Hong lei, porta-voz do Ministério dos Negócios estrangeiros afirmou: “A China e os países de África foram, historicamente, vítimas da ocupação e opressão colonial, e eles sabem de facto o que foi o verdadeiro colonialismo.” Este porta-voz oficial acrescentou: “ Nunca impusemos a nossa vontade aos países africanos. Espero que os que se preocupam consigam ver de forma justa e objectiva a cooperação chino-africana.

Numa entrevista à televisão zambiana Hillary Clinton afirmara que a presença chinesa em África reflecte o crescente interesse daquele país no continente, como o acesso aos recursos naturais e aos mercados, e ainda uma aproximação diplomática. Acrescentou que os Estados unidos não vêem incompatibilidade entre os interesses chineses e os americanos em África.

O comércio Africa-China aumentou 40% no ano passado, atingindo 127 biliões de dólares, na sua maior parte centrado em exportações petrolíferas e minerais, com a qual Pequim alimenta a sua crescente economia.

Contudo, a chefe da diplomacia norte-americana mostrou-se preocupada com as práticas chinesas no continente: “Estamos preocupados com as práticas de assistência externa e de investimento em África que nem sempre são consistentes com normas internacionalmente aceites de transparência e boa governação. E, nem sempre tem utilizado os talentos dos africanos na concretização dos seus interesses financeiros.”

Os projectos de construção chineses em África usam na sua maior parte trabalhadores chineses, que vivem nos locais de construção. Os sindicatos africanos queixam-se que estes projectos não criam postos de trabalho e não se traduzem em treino para trabalhadores locais.

A secretária Clinton advertiu os africanos para os países que apenas lidam com as elites e com frequência minam a boa governação.

“É fácil chegar, retirar os recursos naturais, pagar aos líderes e sair. E quando se sai não se deixa muito atrás, para as pessoas que lá vivem. Não se melhora as suas condições de vida. Não se criam oportunidades. Não queremos ver um novo colonialismo em África.”

O governo de Pequim minimizou as afirmações de Clinton. Num editorial no jornal em língua inglesa “Diário da China” afirmava-se que a China nunca colonizou uma nação em África. Pelo contrário, acrescentava o editorial, os africanos sabem tal como o mundo que a China ajuda África a construir muitas escolas e hospitais.

Acrescentava o diário que muitos governos africanos olham o investimento chinês como uma oportunidade e gostam da política consistente da China de não interferir nos assuntos internos. A parceria estratégica com África nada tem a ver com neocolonialismo mas é sim baseada nos princípios da sinceridade, amizade e benefício mútuo em igualdade de termos.

O jornal escrevia ainda que os africanos são sábios o suficiente para serem capazes de identificar quem são os seus verdadeiros amigos, e que não precisam de ninguém que os ensine sobre isso.

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