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Cimeira em Londres discute mutilação genital feminina e casamento forçado


Uma menina ergue um cartaz que diz "Parem com a mutilação feminina"

Uma menina ergue um cartaz que diz "Parem com a mutilação feminina"

O primeiro-ministro David Cameron publicou no seu Twitter que enviará um documento com regras obrigatórias para acabar com o que considera ser uma prática repugnante.

O governo britânico anunciou hoje um conjunto de medidas com o objectivo de acabar com a mutilação genital feminina e o casamento forçado, tanto na Inglaterra como além fronteiras, segundo um comunicado do primeiro-ministro David Cameron, por ocasião da Cimeira de Londres sobre a MGF e o casamento forçado.

A Inglaterra anunciou que vai criar um programa de prevenção contra a Mutilação Genital Feminina com um fundo de 2,4 milhões de dólares e novas leis que permitam processar os pais que não protejam as filhas da mutilação genital ou do casamento forçado. Um programa que deverá ser alargado a 12 países em desenvolvimento.

O primeiro-ministro David Cameron publicou no seu Twitter que enviará um documento com regras obrigatórias a médicos, professores e assistentes sociais, para acabar com o que considera ser uma prática repugnante.
A prática da mutilação genital é uma tradição africana de muitos países muçulmanos, que é justificada pela prevenção do comportamento imoral da mulher.

Segundo um relatório da Universidade da Cidade Londres, publicado hoje, cerca de 103 mil mulheres entre os 15 e os 49 anos e outras 10 mil meninas abaixo dos 15 que imigraram para a Inglaterra foram submetidas àquela prática.

A cimeira também abordou a questão do casamento forçado em jovens e crianças, abaixo dos 17 anos, muito comum em zonas rurais de países africanos.

Na Zâmbia, por exemplo, estima-se que 14 milhões de meninas são forçadas a casar antes dos 18 anos.

Moçambique, Graça Machel

Moçambique, Graça Machel

A pobreza e a tradição são alguns dos argumentos apresentados pelos pais para estes casamentos.

Graça Machel, que advoga contra o casamento forçado de meninas, falou esta manhã, defendendo que as tradições são feitas pelos homens por isso podem ser alteradas.

Numa declaração contra esta prática, Machel diz que é preciso olhar para a dignidade destas crianças e mulheres. Acrescentando que é absolutamente inaceitável que todos os anos cerca de 14 milhões de meninas sejam forçadas a casar e que se continuar assim, significa que 182 milhões de raparigas vão casar-se ainda crianças entre 2010 e 2020.

São milhões de meninas que estão a ser ignoradas todos os anos e que não têm uma palavra sobre o que lhe acontece.
Machel lembra ainda que mulheres e meninas têm sido encaradas como inferiores aos homens.

Na cimeira de Londres, onde estiveram 500 delegados de 50 países, o governo britânico deixou também claro que pretende erradicar o casamento forçado e a MGF internacionalmente, envolvendo o sector privado, líderes religiosos e governos.

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