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Cimeira da CPLP "agita" capital timorense

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Xanana Gusmao, primeiro-ministro de Timor Leste

Xanana Gusmao, primeiro-ministro de Timor Leste

Encontro marca o regresso da Guiné-Bissau à organização, suspensa desde o golpe de Estado de 2012, e a mais que provável entrada da Guiné Equatorial.

A capital timorense Dili recebe na próxima quarta-feira, 23, a 10a. cimeira dos chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), num encontro que marca o regresso da Guiné-Bissau à organização, suspensa desde o golpe de Estado de 2012, e a mais que provável entrada da Guiné Equatorial. Mas antes da cimeira, e da polémica em torno dessa adesão, há muitas movimentações e assinatura de acordos bilaterais.

A dois dias do início da cimeira, a Comissão de Concertação Permanente que reúne os embaixadores dos membros da CPLP passou hoje em revista as decisões que vão ser tomadas na cimeira.

O presidente de Timor Leste Taur Matan RuaK encontrou-se com o seu homólogo de São Tomé e Príncipe Manuel Pinto da Costa, mas não foi revelado o teor das conversas.

Ainda nesta segunda-feira, foram assinados vários acordos bilaterais a anteceder a cimeira. Timor Leste e Cabo Verde, através dos titulares das respectivas diplomacias, rubricaram vários acordos entre os quais a isenção de vistos entre os dois países. Timor Leste e São Tomé e Príncipe também assinaram alguns acordos, sendo um deles no domínio da justiça.

Para amanhã, 22, está prevista a reunião dos ministros dos negócios estrangeiros da CPLP.

Com o lema “a CPLP e a globalização” e uma agenda cheia em matéria de cooperação económica, esta cimeira da CPLP tem, no entanto, por ponto alto e polémico a adesão da Guiné-Equatorial à organização.

O ministro português dos Negócios Estrangeiros Rui Machete destaca os pontos altos da cimeira, sem tocar na questão da Guiné-Equatorial.

O primeiro Chefe de Estado a chegar a Dili foi precisamente Teodoro Obiang, da Guiné-Equatorial.

O secretário-executivo da CPLP Murade Murargy justificou, em entrevista à RTP, a mais que provável entrada da Guiné-Equatorial na organização como sendo uma forma de ajudar o país a ultrapassar os problemas que enfrenta.

Apesar da oposição de muitas organizações da sociedade civil dos países de língua portuguesa à entrada da Guiné-Equatorial, por ser um país que não fala português e não comungar os valores da liberdade e da democracia, os ministros dos Negócios Estrangeiros recomendaram, em Fevereiro passado em Maputo, a adesão da Guiné-Equatorial à organização depois da suspensão de pena de morte por parte do Governo de Malabo.

Recorde-se que em 2010, 13 personalidades dos oito países lusófonos assinaram uma Carta Aberta em que se manifestaram contra a entrada da Guiné Equatorial na CPLP, por ser um "precedente inaceitável" e levaria à "grave descredibilização" da organização.

A carta foi subscrita, entre outros, pelo então bispo das Forças Armadas português, D. Januário Torgal Ferreira, pelo bispo timorense de Baucau, D. Basílio do Nascimento, pelo escritor moçambicano Mia Couto, pelo ensaísta português Eduardo Lourenço, pelo Frei Carlos Alberto Libânio Christo, pelo músico brasileiro Chico Buarque, pela ensaísta são-tomense Inocência Mata, o nacionalista angolano Justino Pinto de Andrade e pelo cantor guineense Manecas Costa.

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