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Aberto Congresso Nacional do Povo na China com reformas na agenda

  • Shannon Sant

Discurso do primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao marcou a abertura do Congresso Nacional do Povo, hoje, em Pequim

Discurso do primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao marcou a abertura do Congresso Nacional do Povo, hoje, em Pequim

Evento vai durar 13 dias, e na abertura, o primeiro-ministro Wen Jiabao evocou a fraqueza do governo em conciliar desenvolvimento económico com melhoria de vida de milhões de chineses

O governo chinês prometeu lutar contra a corrupção, melhorar o meio ambiente e fazer crescer a economia durante a sessão anual parlamentar aberta hoje.

Milhares de delegados vindos de todas as regiões do país, reuniram-se em Pequim sob um forte dispositivo de segurança para a sessão do Congresso Nacional do Povo que deverá durar 13 dias, e que vai completar o processo de mudança de liderança política em curso há 10 anos.

O primeiro-ministro cessante, Wen Jiabao apresentou o seu último relatório de governo durante a abertura do encontro, e disse que a China enfrenta dum difícil tarefa em corrigir os desequilíbrios do crescimento económico e a disparidade de recursos entre os cidadãos.

Os líderes chineses deixaram a entender a necessidade de reformas políticas, e em Janeiro, vários académicos apelaram para a mudança democrática. Mas até a véspera do Congresso houve poucos sinais de reformas substanciais.

Na noite que antecedeu o início de uma década de transição de poder, houve um aumento de apelos para a reforma política de eminentes académicos e activistas chineses.

Quando questionado acerca da probabilidade dessas mudanças virem a ocorrer sob a presidência de Xi Jinping, uma porta-voz do Congresso Nacional do Povo, insistiu no sucesso do modelo chinês de desenvolvimento.

Fu Ying disse ser incorrecto e injusto dizer que o estilo da reforma política da China não ser uma reforma política a semelhança de outros países. Ela adianta que viajou por vários países desenvolvidos e viu que os desafios que os mesmos enfrentam não são menores que os da China. De facto, acrescentou, os problemas que esses países têm são mais difíceis em alguns casos, e ninguém ainda não os pediu para mudar os seus sistemas políticos.

O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao trouxe a ribalta o tópico de reforma política no último congresso anual, quando alertou para tragédias, aludindo que a Revolução Cultural poderá voltar acontecer a menos que haja mudanças significativas.

Em Janeiro 100 líderes universitários, jornalistas e activistas chineses assinaram uma petição apelando para a implementação da constituição, que consideram poder conduzir a independência do sistema judiciário e suspender os controlos ao nível da internet, assim como de organizações e novos medias.

Todavia, os líderes do Partido Comunista prometeram fazer de prioridade política as questões que visam melhorar a qualidade de vida e o meio ambiente, nos próximos anos, enquanto o país vai procurando aprofundar o desenvolvimento económico e a competitividade como a segunda maior economia do mundo.

A maior parte do discurso final do primeiro-ministro Wen Jiabao no parlamento – que durou 100 minutos – voltou a apelar ao Relatório do Trabalho do governo. Numa longa lista de realizações o primeiro-ministro apontou que a China nos últimos 5 anos conseguiu responder com sucesso a crise financeira mundial, criou mais de 58 milhões de empregos urbanos, assim como acolheu os Jogos Olímpicos de Pequim e a Exposição Mundial de Shanghai.

Entre outras coisas, Wen Jiabao apontou as estatísticas em matéria de construção civil, com a nova obra de 20 mil quilómetros de linhas férreas, e mais de 600 mil quilómetros de estradas, construídas durante o mesmo período.

Wen disse que a economia vai continuar a crescer apesar de sua estabilização este ano nos 7.5 por cento. Ele evocou os gastos na defesa que foram duplicados para cerca de 119 mil milhões de dólares em 2013 e que os gastos na segurança interna irão exceder ainda o que o país tem gasto nas forças armadas.

O primeiro-ministro realçou também que apesar desses progressos o país continua a enfrentar muitos problemas e que algumas pessoas continuam tendo vidas difíceis, com as questões de desequilíbrios e insustentabilidades sociais a serem um permanente handicap do desenvolvimento.
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