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China/Angola: da dependência angolana à expansão chinesa

  • Alvaro Ludgero Andrade

A visita que o Presidente angolano realiza a partir desta terça-feira, 9, e durante seis dias à China tem sido alvo de muitas análises e controvérsias. Ontem, o presidente da Unita Isaías Samakuva alertou na VOA para o facto de Angola poder vir a perder a sua soberania a favor da China, se Pequim continuar a impor as suas regras no relacionamento entre os dois países, em troca do dinheiro que investe em Angola. A visita é vista como um evento que interessa aos dois lados, apesar da pouca informação disponível.

O economista e director do jornal angolano Expansão Carlos Rosado de Carvalho destaca o secretismo e a falta de informações oficiais em torno da visita do Presidente angolano à China, um país que está presente em todas as áreas em Angola, à excepção, por agora, do sector financeiro.

A nível comercial, a China é o segundo exportador para Angola e, segundo Carlos Rosado de Carvalho, ameaça o primeiro lugar detido por Portugal, cujas exportações estão a cair. Ao mesmo tempo, apenas a China compra metade do petróleo angolano.

Questionado sobre a procura de financiamento da economia angolana, por exemplo, entre 22 e 25 mil milhões de dólares por Pequim, aquele economista manifesta muitas dúvidas e adverte para uma ainda maior dependência da China.

“Caso se confirme esse acordo e se tivermos de comprar os produtos da China e contratar empresas chinesas, não vejo muitas vantagens, lembrando que a China já compra metade do nosso petróleo”, disse Rosado de Carvalho, recorrendo a um conselho do prémio Nobel de Economia Markovic, que basicamente dizia “que não se deve colocar todos os ovos na mesma cesta para que não fiquemos tão dependentes da China, se é que já não o estamos”.

A aproximação de Angola à China através da reiterada parceria estratégica, é vista por Carlos Rosado de Carvalho como uma forma, também de Pequim, entrar em mercados competitivos e onde não poderá chegar por meios próprios. O facto de Angola ser a terceira maior economia da África subsaariana, ajuda.

“A China vê a parceria com Angola uma entrada em outros mercados, como na SADC(Comunidade de Desenvolvimento da África Austral, que é a zona mais dinâmica da África, estamos a preparar a nossa adesão à zona de comércio livre da SADC em 2017 e a Angoa pode ser porta de entrada na China nesse e noutros mercados”, conclui Carlos Rosado de Carvalho.

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