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Chega a 350 o número de ganeses que pediram asilo no Brasil

  • Maria Cláudia Santos

Bandeira pintam ruas de São Paulo no dia de abertura do Mundial que vai de 12 de Junho a 13 de Julho. Brasil 2014

Bandeira pintam ruas de São Paulo no dia de abertura do Mundial que vai de 12 de Junho a 13 de Julho. Brasil 2014

Adeptos que foram assistir o Mundial dizem que são perseguidos no Gana por serem muçulmanos, o Governo desmente.

Cresce, a cada dia, a quantidade de ganeses que, depois de terem entrado no Brasil com visto de turista para a Copa do Mundo, querem permanecer no território brasileiro como refugiados. O número de cidadãos de Gana nesta situação já chega a 350, nesta quarta-feira, 16.

Cidadãos do Gana pedem asilo no Brasil - 3:36

Os ganeses têm feito os pedidos de asilo principalmente na Polícia Federal (PF) de Caxias do Sul, cidade industrial do Rio Grande do Sul, alegando que sofrem perseguição no seu país de origem por serem muçulmanos.

Pela legislação brasileira, recebida a solicitação de refúgio, as autoridades devem autorizar a permanência do solicitante no Brasil até que o processo, que analisa o pedido, seja completamente concluído.

Uma reunião marcada pela Defensoria Pública da União, em Caxias do Sul, deve discutir soluções rápidas para que os africanos, a grande maioria homens, possam a partir da obtenção do documento da PF encontrar trabalho no Brasil.

A coordenadora do Centro de Atendimento ao Imigrante (CAM), de Caxias do Sul, ligado à Igreja Católica, Maria do Carmo dos Santos Gonçalves, explica qual é a situação desses ganeses, que chegaram somente com a roupa do corpo.

“Ontem, nós recebemos mais 18 pessoas que chegaram também com esse intuito da documentação. Ao todo, cerca de 350 pessoas já passaram por Caxias. São pessoas que já encaminharam a carteira de trabalho e estão esperando o documento e outros que estão na fila de espera para encaminhar o protocolo da Polícia Federal”, afirma.

Para a Polícia Federal do Rio Grande do Sul, os ganeses - que chegaram a diferentes capitais brasileiras e seguiram para Caxias do Sul - podem estar sendo atraídos por promessas de emprego, nem sempre verdadeiras.

Já para a coordenadora do CAM, a estrutura que a cidade do sul do Brasil oferece para quem pede o refúgio pode explicar a chegada em grande número de ganeses ao município.

“A Polícia Federal aqui consegue, de facto, encaminhar de forma mais acelerada a documentação, atender essa demanda. Além disso, Caxias é considerada pelo IBGE uma capital regional, o Ministério do Trabalho aqui tem emitido carteira de trabalho para todoa a região, isso também atrai as pessoas”, explica.

A situação dos ganeses preocupa muito as autoridades de Caxias do Sul e a representante do CAM que, com a ajuda de voluntários, tem ajudado a acolher os africanos. A grande preocupação é que a estrutura local fique sobrecarregada caso a chegada dos imigrantes não pare.

“A polícia federal tem limite de estrutura. Eles estão fazendo todo o possível para atender o mais rapidamente possível essas pessoas, mas há essa dificuldade. A polícia continua atendendo 15 pessoas por dia. Agora, estamos um pouco apreensivos porque se a lista for aumentando as pessoas têm que ficar ‘por ali’ esperando que os documentos sejam encaminhados”.

Para a presidente do CAM, apesar de o Governo de Gana negar a perseguição religiosa aos muçulmanos no país, os cidadãos que estão no Brasil pedindo refúgio insistem nisso.

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