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Tribunal de Haia confirma 50 anos de cadeia para Charles Taylor

  • Redacção VOA

Antigo presidente da Libéria não conseguiu reduzir em recurso a sua pena perante o Tribunal Especial para a Serra-Leoa que julgou os casos de guerra naquele país

Antigo presidente da Libéria não conseguiu reduzir em recurso a sua pena perante o Tribunal Especial para a Serra-Leoa que julgou os casos de guerra naquele país

Antigo presidente liberiano viu confirmada a sua sentença por crimes contra humanidade durante a guerra na Serra-Leoa onde apoiou e planeiou ataques do RUF - Frente Revolucionária Unida.

Um tribunal especial das Nações Unidas confirmou hoje a sentença de 50 anos de prisão para o antigo presidente liberiano Charles Taylor.

Taylor tinha apresentado recurso a decisão dos juízes que o tinham condenado por ter armado e apoiado os rebeldes na Serra-Leoa durante a guerra civil naquele país e no qual morreram 50 mil pessoas.

O tribunal confirmou a sentença de 50 anos de cadeia. Os serra-leoneses puderam acompanhar o anúncio do veredito dos juízes feito em Haia, no tribunal de Freetown.
Hassan Barrie foi uma das vítimas da guerra civil na Serra-Leoa. Durante o conflito de 1991 a 2002, os combatentes rebeldes chegaram as vezes a amputar pessoas.

Barrie foi feliz, não perdeu nenhum dos membros, mas sofreu imenso. Foi preso, torturado e afectado numa das pernas. Agora só anda com apoio de manetas.

“Durante a guerra eu sofri, sofri tanto mas agradeço a Deus por estar vivo.”

Hassan Barrie diz por isso estar contente com os anos de cadeia que Taylor vai ter que cumprir.

Um dos grupos rebeldes que Charles Taylor ajudou a armar e organizar ataques foi a Frente Revolucionária Unida – RUF. O grupo recrutou crianças soldados para combates tendo os dado droga e álcool.

Os rebeldes violaram igualmente milhares de mulheres e jovens adolescentes, muitas delas transformadas em escravas sexuais.

Kabba Kargbo tinha sido recrutado como criança-soldado, e diz que a sentença de Taylor é muito branda.

“A sentença não é dura porque o que sentimos e fizemos durante a guerra, não era a nossa vontade, porque forçou-nos a ser crianças soldado.”

Os advogados de Taylor tinham apresentado o recurso com base em 42 pontos, alegando essencialmente que ele não tinha conhecimento acerca dos crimes de guerra que tinham sido cometidos.

A acusação também recorreu alegando que a sentença de Taylor tinha sido muito reduzida.

O tribunal de recurso decretou hoje a sua decisão afirmando que tudo ficou mais que provado.

Algumas pessoas que estiveram hoje no tribunal especial de Freetown eram na altura dos feitos muito jovens e não recordam devidamente os acontecimentos.

O Tribunal Especial na Serra-Leoa realizou julgamentos de outros grupos rebeldes envolvidos na guerra civil no país, mas o julgamento de Taylor teve que ser transferido para Haia, por razões de segurança.

Agora que os julgamentos ficaram concluídos, uma parte do edifício do tribunal em Freetown será convertido no museu da paz. Actualmente está a ser usado para alojar mulheres prisioneiras. O resto do edifico do tribunal talvez venha a albergar no futuro o Tribunal Supremo da Serra-Leoa.

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