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Casa de jornalista moçambicano é atacada por supostos agentes da polícia

  • André Baptista

John Chekwa, jornalista moçambicano

John Chekwa, jornalista moçambicano

Polícia desmente, mas John Chekwa diz que filho e amigo, ambos menores, foram espancados para revelar o seu paradeiro.

Um grupo de supostos elementos das forças governamentais, composto por 8 homens armados e mascarados, invadiu na madrugada de quarta-feira, 7, a residência do jornalista John Chekwa, tendo o filho sido alvo de agressão e tentativa de rapto em Catandica, distrito de Barue, Manica, centro de Moçambique.

Quando a invasão ocorreu o jornalista não se encontrava em casa em virtude de estar num esconderijo devido às ameaças e perseguições de que tem sido alvo nos últimos dias, naquela região, palco de violentos confrontos entre as forças governamentais e o braço armado do partido da oposição Renamo.

Durante a operação, o grupo agrediu brutalmente o filho e um amigo deste, ambos de 15 anos, e pediu que denunciasse o paradeiro de John Chekwa, delegado da Rádio Comunitária Catandica e agente facilitador da Fundação MASC (Mecanismo de Apoio à Sociedade Civil).

“Eles chegaram numa viatura Mahindra preta, pertencente à Unidade de Intervenção Rápida (UIR), arrombaram a porta principal e vasculharam a casa. Pegaram nos dois rapazes que estavam na casa e começaram a espancar, perguntando onde está John Chekwa”, descreveu o jornalista à VOA.

Chekwa contou que os dois rapazes foram retirados da casa para o interior da viatura, amaradosjunto de outros presos civis, e deixados sob responsabilidade do motorista, quando o grupo tentava fazer novos desdobramentos para localizar o jornalista.

“Nesta altura os rapazes conseguiram escapar, esconderam-se temporariamente numa construção abandonada e depois vieram ao meu encontro”, frisou John Chekwa, adiantando que os rapazes gozam de boa saúde, mas estão em pânico.

Vários bens foram roubados na casa dele.

O jornalista não tem duvida que este ataque, seja mais um capítulo da perseguição a que tem sido alvo nos últimos tempos, supostamente por dar lugar na estação de rádio a vozes discordantes da governação local.

“Tudo é por causa do trabalho que eu presto para a comunidade. Eu dou voz àqueles que não tem voz e o Governo tem acusado a rádio de estar a favorecer a oposição em Barue. Esta é a razão desta perseguição”, aclarou o jornalista, assegurando que encontra-se num esconderijo seguro, com toda a sua família.

O jornalista foi alvo de vários processos judiciais por denunciar casos de corrupção dos dirigentes locais do Estado e da Frelimo, partido no poder.

Entretanto, a Polícia moçambicana negou que tenha participado na acção contra o jornalista, adiantando que o caso em alusão nem foi reportado às autoridades.

“Eu acabo de interagir com o comandante distrital de Barue e ele disse que era mentira”, declarou Leonardo Colher, chefe do Departamento Relações Públicas no comando da Polícia de Manica.

“Ele até pediu o nome do jornalista para poder se informar melhor porque acha que é muito estranho ter ocorrido uma coisa dessas, até porque questionou o Mahindra preto, já que o distrito não tem Mahindra preta”, afiançou.

O capítulo moçambicano do Instituto de Comunicação Social da África Austral (MISA) já repudiou o ataque à residência do jornalista, considerando a acção uma grave ameaça à liberdade de imprensa e de expressão.

Na semana passada, o MISA Moçambique condenou as ameaças de morte proferidas por desconhecidos ao jornalista António Zefanias, director do jornal Diário da Zambézia, considerando o acto de grave e um atentado contra o direito à liberdade de imprensa e de expressão.

A organização exigiu que as autoridades investiguem o caso.

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