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Candidatos a vaga na universidade pública de Angola questionam processo

  • Manuel José

Universidade Agostinho Neto

Universidade Agostinho Neto

Professor critica falta de qualidade dos docentes.

Arrancaram nesta terça-feira as inscrições para uma vaga na universidade pública angolana, com mais de 30 mil candidatos a lutar por uma das cinco mil vagas.

No início deste processo, candidatos falam em negócios pouco claros e professores alertam para a falta de qualidade dos docentes na Universidade Agostinho Neto.

Uma candidata disse à VOA haver “muita enchente, muitos candidatos e muita desordem”, o que, segundo ela, leva muitos a “desistirem e procurarem pelas universidades privadas”.

Muitos dos estudantes duvidam também do processo, como uma que optou pelo anonimato, mas que revelou ter passado no teste ano passado, mas nunca entrou para a universidade.

''O meu nome saiu entre os aptos, mas, depois na seleção, fui excluída, fui reclamar e disseram que já não havia nada a fazer'', lamenta a estudante que tenta novamente “apesar de algumas suspeições”.

''Há muita trafulhice em relação ao processo, há muitos business, fazem negociatas, quem tiver padrinho na cozinha entra facilmente'', denuncia outro jovem que sonha entrar na universidade.

A VOA tentou falar com a direcção da Universidade Agostinho Neto, mas sem sucesso.

O professor Carlinhos Zassala, no entanto, questiona a qualidade dos professores da Universidade.

''A ausência de políticas públicas de formação de professores para o ensino superior, existe escolas para formar professores primários e secundários mas para a universidade qual é a política?, pergunta o docente.

O sindicalista pergunta igualmente “onde foram formados os professores que dão aulas nestas instituições, quando é que foram formados?”

Para ele, “muitos destes professores não tem capacidade, nem competências para serem professores do ensino superior''.

Carlinhos Zassala diz haver alguns professores alguns da geração dele que podem orientar cursos de mestrado e doutoramento em cooperação com universidades estrangeiras, mas lamentavelmente “a política de aproveitamento de quadros em Angola ainda é discriminatória e nada está a ser feito para a qualidade do ensino, a começar com a formação de professores”.

Actualmente existem 67 instituições de ensino superior em Angola.

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