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Camponesas expulsas em Benguela voltam a protestar

  • João Marcos

Agora queixam-se do encerramento do armazém onde trabalhavam.

Camponesas expulsas do perímetro agrícola da Catumbela, em Benguela, voltam a protestar, agora, devido ao encerramento do armazém construído no espaço onde exerciam a sua actividade.

Sem ocupação, elas dizem que as autoridades deram luz verde a um projecto fracassado, quando centenas de famílias deveriam estar a beneficiar de bens alimentares.

Há dois anos, quase 50 camponesas deixavam o perímetro da Catumbela, depois de terem perdido as suas terras para cidadãos estrangeiros que investiram num armazém para distribuição de fertilizantes.

As camponesas viram interrompido um período de quase 30 anos ao serviço da agricultura de subsistência.

Apesar dos protestos, na base dos conflitos de terra noticiados pela VOA, elas foram forçadas a abandonar as culturas de banana, milho e mandioca, desenvolvidas na zona do Negrão, ao lado da linha férrea.

Afectados pela crise das divisas, que trava a importação de fertilizantes, os proprietários do armazém têm as portas fechadas.

‘’As nossas hortas foram transformadas num monte de armazéns. A crise veio e os armazéns estão fechados, quando as mamãs podiam estar aqui a desenvolver a agricultura’’, sustenta uma das camponesas excluídas, ao passo que outra, também revoltada, diz que a situação é lamentável.

Em mais uma ronda de protestos, algumas camponesas apontam a fórmula para a redução do problema da escassez de alimentos

“’Se Benguela tem crise, é porque as hortas fecharam. Em algumas praças, vemos mamãs a vender um pouco de banana a 200 Kwanzas, algo que não acontecia’’, refere uma camponesa que pediu o anonimato.

Uma outra senhora, que pede que as autoridades travem esse processo, lembra que ‘’o estrangeiro fez a sua parte, ganhou algum dinheiro e foi-se embora’’.

O governador de Benguela, Isaac dos Anjos, opõe-se à ocupação das terras da Catumbela para fábricas e armazéns, mas a verdade é que cenários como este são frequentes, geralmente devido a ‘’ordens superiores’’, oriundas de Luanda.

Na altura, a VOA procurou falar com a direcção do Pólo Industrial, a entidade gestora das terras, mas sem sucesso.

O armazém está a ser protegido por seguranças privados para evitar um cenário de invasão.

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