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Campanha presidencial no Brasil baixa de nível

  • Maria Cláudia Santos

Dilma Roussef e Aécio Neves

Dilma Roussef e Aécio Neves

Tribunal Superior Eleitoral proíbe ataques pessoas nos tempos de antena.

A corrida presidencial no Brasil entra na recta final cada vez mais inflamada, marcada por trocas de acusações agressivas entre os dois candidatos, Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT), que disputa a reeleição.

A 10 dias das eleições presidenciais, Aécio Neves, actual líder nas pesquisas (51%), e Dilma (49%) trocam constantemente acusações de corrupção, favorecimento de parentes em governos, falta de transparência e mentiras. As críticas atingem também o lado pessoal dos adversários políticos.

Nos programas partidários, na rádio e TV, Aécio Neves acusa Dilma e o PT de estarem patrocinando uma campanha de rancor e ódio, voltada para a desconstrução do candidato. Por outro lado, a campanha da petista acusa o adversário de esconder sua história de vida e divulga propagandas políticas que sempre são encerradas com a frase: "Aécio, quem conhece não vota".

Os dois debates que ocorreram na TV entre os presidenciáveis esta semana, para muitos telespectadores, lembraram mais uma luta de boxe. Aécio Neves acusou Dilma, várias vezes, de fazer campanha de baixo nível. Os dois candidatos exploraram, o tempo todo, denúncias um contra o outro.

Aécio questionou Dilma sobre o escândalo envolvendo desvios de dinheiro da estatal Petrobras e a presidente que disputa a reeleição devolveu o ataque questionando o candidato sobre a construção de um aeroporto, com dinheiro público, na cidade onde a família dele tem propriedades. "Como é que o senhor explica ter construído um aeroporto que na época custa R$ 13,9 milhões e que esse aeroporto foi construído no terreno de sua família?"

Aécio respondeu duramente. "A senhora está sendo leviana, candidata. Foi uma obra feita em uma área desapropriada em desfavor de um tio meu, para beneficiar uma região próspera onde estão mais de 150 indústrias".

A candidata também acusou Aécio de favorecer parentes nas estruturas de governos. "Hoje, no Brasil é proibido o nepotismo, o emprego de familiares no governo. E o senhor tem uma irmã, um tio, três primas e três primos no Governo. Se o senhor olhar, no Governo federal, não vai encontrar nenhum parente meu".

E, em outro momento, Dilma tratou do tema da Lei Seca, que proíbe bebida ao volante, para lembrar que o candidato já foi barrado em uma blitz dirigindo embriagado e se recusou a fazer o teste do bafómetro. “Eu acho muito importante a lei seca para o Brasil e acho que o senhor está tentando diminuí-la. Acredito candidato, que ninguém pode sem sofrer as consequências dirigir nem drogado nem bêbado”.

Apesar de admitir o facto, Aécio acusou Dilma de faltar com a verdade em vários momentos da campanha. “Candidata, a senhora está mentindo para o Brasil. A sua campanha é a campanha da mentira”.

O clima é tão hostil na campanha política brasileira que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu ontem, 16, que as propagandas eleitorais gratuitas em cadeia nacional de rádio e TV no Brasil não podem servir para "atacar" candidato adversário, mas sim para debater propostas.

A guerra de acusações tem deixado essas propostas totalmente de lado. Num dos debates na televisão, os dois candidatos juntos, gastaram apenas sete minutos, em 1 hora e 20 minutos, com programas de governos.

O cientista político Pedro Fassoni concorda que os debates eleitorais deixam os brasileiros sem respostas. “Talvez o debate tenha chamado a atenção não pelo o que foi dito, mas pelo o que faltou a dizer: as grandes questões nacionais como a reforma política, a agrária, um plano nacional de mobilidade urbana, a política externa. Por exemplo, aquela pauta de reivindicação da população no ano passado não foi colocada nesse debate”, diz Fassoni.

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