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Campanha eleitoral no Congo marcada por violência e ameaças


Apoiantes do presidente Joseph Kabila aguardam a sua chegada à cidade de Goma, no leste da R D do Congo, para um comício de campanha

Apoiantes do presidente Joseph Kabila aguardam a sua chegada à cidade de Goma, no leste da R D do Congo, para um comício de campanha

Presidente Kabila ameaça "esmagar" oposição; Tshisekedi diz que há risco fatal de o país "pegar fogo".

A campanha para as eleições presidenciais da R D do Congo (Congo Kinshasa) entrou na sua última semana. O presidente Joseph Kabila enfrenta 10 adversários, mas o seu principal duelo é com o ex-Primeiro ministro Etienne Thsisekedi.

Kabila chegou à presidêcia em 2001 após o assassínio do seu pai, Laurent Kabila, que chefiou a revolta contra Mobutu Sese Seko, ainda nos tempos em que o país se chamava Zaire.

Joseph Kabila foi eleito em 2006, num processo eleitoral manchado por violência na segunda volta. Nesta campanha de Kabila contra Tshisekedi, a tensão é elevada.

O presidente mandou encerrar uma estação privada de televisão, chamada Rádio Lisanga, após uma entrevista com Etienne Tshisekedi em que este se declarou “presidente nomeado pelo povo” e pediu aos seus apoiantes para libertarem os presos políticos.

À Voz da América, Tshisekedi disse que nunca pediu ao povo para pegar em armas, mas apenas que se mobilizasse. E adianta que, quando pediu aos seus apoiantes para libertarem os colegas que se encontam presos, "isso não é nada comparado com o número de apoiantes da oposição mortos" pelos partidários de Kabila.

Tshisekedi diz que a ditadura não tem lugar no Congo e que a democracia chegou ao país.

Em campanha na região oriental da R D do Congo, Kabila disse que "será esmagado quem tentar provocar violência" num país onde mais de dois milhões de pesoas morreram em guerras civis que envolveram soldados do Ruanda, Uganda, Angola, Namíbia e Zimbabwe.

De acordo com Kabila, os seus adversários dizem que se não ganharem as eleições começam a lutar.

"Mas eles não podem lutar e se quiserem começar uma guerra serão esmagados", disse Kabila.

Os Estado Unidos, a União Europeia e as Nações Unidas, expressaram vários níveis de preocupação com a violência eleitoral. O Tribunal Penal Internacional promete investigar crimes relacionados com as eleições, como está a fazer no Quénia e Costa do Marfim.

De acordo com a Comissão Eleitoral, as eleições marcadas para o dia 28 vão realizar-se no dia aprazado, mas alguns observadores eleitorais estão preocupados com o ritmo lento de distribuição dos boletins de voto num país do tamanho de toda a Europa Ocidental.

Mas, com atrasos nos preparativos ou não, Etienne Tshisekedi diz que as eleições não podem ser adiadas.

"A data das eleições é obrigatória e a comissão eleitoral não tem outra opção, porque o mandato de Kabila termina em Dezembro", afirma Tshisekedi, deixando uma previsão fatalista: “Se o governo não organizar correctam,ente as eleições e não respeitar as datas, haverá riscos fatais que vão incendiar o país.”

Para eliminar a necessidade de uma segunda volta, a lei foi alterada. Elimina a necessidade de obtenção de 50% dos votos para uma vitória e diz que o candidato que tiver mais votos ganha. Os resultados oficiais devem ser anunciados no dia 6 de Dezembro, o último do actual mandato do presidente Joseph Kabila.

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