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"Cabo Verde tem de deixar de ser intermediário dos interesses de outros em relação a África"

  • Mayra de Lassalette

Euridice Monteiro​ é professora universitária, analista política, investigadora e também uma entre mil bolseiros do programa YALI 2016, criado por Barack Obama.
Quando questionada sobre os servidores públicos do seu país, Cabo Verde, a investigadora é assertiva nas suas palavras e aflora a falta de uma relação mais forte entre as ilhas e o continente africano.

Para a investigadora que é igualmente autora de livros, "há pouca prestação de contas dos detentores de cargos políticos", devido à existência de dinâmicas políticas que por vezes se sobrepõem aos interesses das instituições.

Eurídice Monteiro refere ainda que é preciso ser "franco quando o debate é para Cabo Verde": "Muitas vezes passamos uma boa imagem de Cabo Verde, de que o país é fantástico, colorimos tanto Cabo Verde que depois acabámos constrangidos, porque acabámos por perceber que não temos aquela força que o nosso marketing político deixa transparecer".

Democracia formal satisfatória

É verdade que por outro lado, diz a professora universitária, Cabo Verde é também exemplo de boa governação, na medida em que a alternância de poder acontece, ao que a analista política atribui como sendo possível porque "o povo cabo-verdiano não tolera certas coisas".

Mas, a nível das relações com África é preciso pensar numa nova forma do arquipélago se relacionar com o continente, comenta Eurídice, porque segundo explica continuar com "a mania de ser bons alunos, bons exemplos, o bom exemplo de África, vamos fechar a oportunidade de um diálogo com os outros países africanos(...). Cabo Verde tem de deixar de ser intermediário dos interesses de outros em relação a África".

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