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Cabo Verde sobe no Índice Mo Ibrahim, restantes países lusófonos caem

  • Alvaro Ludgero Andrade

Mo Ibrahim

Mo Ibrahim

Relatório analisa a boa governação em África em 2014.

Cabo Verde é o país de língua portuguesa melhor classificado no Índice Ibrahim de Boa Governação Africana 2014, publicado hoje, 29, e único que subiu na classificação. São Tomé e Príncipe, Moçambique, Angola e Guiné-Bissau desceram no índice que analisa a governação em 52 países africanos.

O arquipélago recuperou o segundo lugar perdido no ano passado para o Botswana. Cabo Verde teve uma óptima avaliação em termos de segurança e funcionamento da lei e justiça, bem como na área da participação cívica e direitos humanos e no bem-estar, nomeadamente no acesso à segurança social. Entretanto, recebeu notas menos boas na avaliação às infra-estruturas, administração pública, segurança pessoal e condições oferecidas às empresas privadas.

Apesar de ter subido alguns pontos graças às boas notas em termos de segurança nacional e pessoal, participação cívica, igualdade entre sexos, acesso à saúde, educação e segurança social, São Tomé e Príncipe desceu um posição e agora ocupa o 12º. lugar.

O conflito político-militar em Moçambique fez o país perder dois lugares no Índice Mo Ibrahim de Boa Governação em África 2014, ocupando agora a 22ª. posição. O relatório indica, no entanto, que o país registou avanços no acesso à saúde e igualdade entre sexos, embora tenha piorado no desenvolvimento da economia e de infra-estruturas, funcionamento da lei e acesso à educação.

Angola, que registou avanços nos últimos relatórios, perdeu cinco pontos e desceu cinco posições este ano, para a 44ª. posição. Como causas desses retrocessos, a Fundação Mo Ibrahim aponta recuos nas áreas da igualdade entre sexos, participação cívica e direitos humanos e ambiente económico. O relatório cita, entanto, melhorias em termos de segurança nacional, acesso à educação e saúde e funcionamento administração pública.

Guiné-Bissau é país lusófono pior colocado devido, principalmente, ao facto da instabilidade político-militar e o recente período de transição. Bissau perdeu 6,8 pontos e desceu cinco posições na tabela, ocupando o 48º lugar.

Assis Malaquias, especialista do Centro Africano de Estudos Estratégicos, aqui em Washington, diz que os países de língua portuguesa estão no bom caminho, à excepção da Guiné-Bissau que tem um desafio maior. Ele avisa, no entanto, que "têm de trabalhar mais rápido".

O Índice Mo Ibrahim de Boa Governação Africana analisa anualmente sectores como segurança e Estado de Direito, participação e direitos humanos, desenvolvimento sustentável e oportunidade económica sustentável.

A Costa do Marfim foi o país que mais pontos ganhou este ano. No topo antêm-se as Ilhas Maurícias, seguidas por Cabo Verde, Botsuana, África do Sul e Seicheles.

No fundo da classificação estão Chade, Eritreia, República Centro Africana e a Somália.

De acordo com o relatório apresentado hoje em Londres, África registou melhorias importantes. Entretanto, a nota média ainda está bem abaixo do que desejado. De zero a 100, o continente manteve-se em 51,5

A Fundação Mo Ibrahim, cujo patrono é o multimilionário somali que lhe dá nome, distingue também anualmente uma personalidade cujo nome será anunciado em breve.

Os antigos presidentes de Moçambique, Joaquim Chissano, e de Cabo Verde, Pedro Pires, bem como Festus Mogae, do Botsuana, e Nelson Mandela, este último a título honorário.

Em 2012 e 2013, a Fundação decidiu não atribuir a ninguém o prémio, no valor de cinco milhões de dólares

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