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Cabo Verde quer ser "exemplo" no combate às mudanças climáticas

  • Alvaro Ludgero Andrade

Arquipélago já sente efeitos das mudanças climáticas e prepara-se para mitigar as consequências e aposta em energias renováveis.

Cabo Verde começa a sentir com alguma intensidade os impactos das mudanças climáticas, com consequências na economia e nas famílias.

O aumento do nível médio da água do mar, a perda de terrenos agrícolas, as mudanças do padrão das chuvas e o aumento da temperatura são alguns desses impactos que já marcam o arquipélago.

Em curso, o Governo tem em execução uma série de medidas, com especial aposta na redução das emissões de gases e inclusão de 100 por cento de energias renováveis na rede eléctrica em 2030.

Um estudo sobre as vulnerabilidades de Cabo Verde realizado em 2011 apontou os problemas que o arquipélago já começa a enfrentar.

Com a subida do nível médio das águas do mar, "muitos terrenos agrícolas deixaram de ser férteis e várias famílias começam a perder os seus meios de subsistência", revela o director-geral do Ambiente.

Nas ilhas mais planas, diz Moisés Borges, "as populações também sentem os efeitos e têm havido vários problemas com habitações construídas nas encostas, nomeadamente quando as chuvas abatem sobre o país com mais intensidade".

Aquele responsável enumera também a mudança dos padrões das precipitações, com aumento de períodos de seca e, mesmo tempo, chuvas em excesso em determinados anos, como agora em 2015.

"Temos tido muitos problemas, não só a nível da perda de terrenos agrícolas, com efeitos visíveis nas famílias, que ficam sem seus meios de subsistência, quando não chove, e, quando chove e muito, como este ano, há destruição de infraestruturas", aponta Borges.

O especialista do Instituto Nacional Meteorologia e Geofísica assinala, por outro, o facto de a época das chuvas ser tradicionalmente de Julho a Setembro, mas, "como acontece este ano, tem havido muita chuva em Outubro e Novembro".

O aumento da temperatura é, para Moniz, outra consequência que se faz sentir em Cabo Verde, como se pode constatar neste ano, com mais de 28 graus centígrados em pleno mês de Novembro.

A presença cada vez maior da bruma seca que vem do deserto do Sahara que anteriormente afectava o país no início do ano, e que agora tem marcado presença nos meses de verão, ou seja na época da chuva", é outra consequência directa das mudanças climáticas.

Moisés Borges garante que Cabo Verde é um dos países que "mais têm trabalhado para mitigar e adaptar-se às mudanças climáticas, tendo em curso um ambicioso programa de combate à emissão de gases e criando alternativas”.

Entre as principais medidas, aquele responsável aponta a plantação, nos próximos tempos, de 20 mil hectares de florestas, a introdução de 100 por cento de energias renováveis na rede eléctrica até 2030 e o aproveitamento do potencial energético no tratamento dos resíduos sólidos, “capturando gases que vão para atmosfera para os meter na rede”.

"O sequestro do carbono é uma alternativa muito boa a que vamos recorrer com a plantação de florestas", garantiu o responsável pelo ambiente no arquipélago.

Desde 2004, começou a ser construída uma rede de barragens que, para o especialista Carlos Moniz “é a melhor arma do país para combater as mudanças climáticas ao garantir água para todo o ano num país seco e ser fonte de rendimento para milhares de famílias”.

Aquele especialista classifica de extraordinários "o Centro de Energias Renováveis e Eficiência Energética" e vários outros projectos em curso que, com mais painéis solares e geradores "aumentarão a capacidade de resposta do país às mudanças climáticas".

O Governo de Cabo Verde entregou antes do prazo estipulado a suas proposta spara a Conferência sobre as Mudanças Climáticas de Paris, que começa no dia 30 de Novembro.

Entre outras, defende a redução do aquecimento global em 1,5 grau, em vez dois graus como propõem os países desenvolvidos.

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