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Cabo Verde: Novo Governo entre a expectativa e a realidade

  • Alvaro Ludgero Andrade

Ulisses Correia e Silva, primeiro-ministro de Cabo Verde

Ulisses Correia e Silva, primeiro-ministro de Cabo Verde

Executivo toma posse hoje com enormes desafios pela frente.

O nono Governo constitucional de Cabo Verde a ser empossado pelo Presidente da República nesta sexta-feira, 22, assume os destinos do arquipélago num momento de uma enorme expectativa, depois da maioria absoluta conseguida nas eleições legislativas de 20 de Março.

Ao mesmo tempo, depois do lema de campanha “Cabo Verde tem Solução”, o Executivo do Movimento para a Democracia (MpD) tem o desafio de apresentar resultados, num momento de estagnação económica do país.

"Optamos por este figurino para que haja uma forte coordenação política, uma boa articulação e uma boa integração das políticas", afirmou Ulisses Correia e Silva ao apresentar o seu Executivo de 12 membros, um “Governo pequeno”.

Na ocasião, reiterou que vai cumprir as demais promessas, nomeadamente o emprego, crescimento económico inclusivo, redução da pobreza e segurança, entre outras.

Frente à enorme expectativa criada durante a campanha e com a maioria absoluta conseguida nas eleições, Correia e Silva já veio lembrar que tem uma legislatura para implementar o seu programa, ou seja, não pode fazer tudo amanhã.

Nuno Andrade Ferreria, jornalista e coordenador da Rádio Morabeza, Cabo Verde

Nuno Andrade Ferreria, jornalista e coordenador da Rádio Morabeza, Cabo Verde

Em conversa com a VOA, o jornalista e coordenador da Rádio Morabeza, Nuno Andrade Ferreira, considera que as expectativas criadas estão à altura das promessas feitas na campanha e "todos os sectores esperaram rapidamente pelas decisões do Governo".

Ferreira adverte que, mais do que medidas, nos primeiros momentos, o Governo deve fazer uma gestão das expectativas.

“Nada disto é surpreendente e é natural que assim seja e o Governo vai estar sob um apertado escrutínio, precisamente por aquilo que prometeu durante a campanha, ao colocar a fasquia num patamar bastante elevado”, reitera aquele analista, apontando para a necessidade de uma “boa gestão das expectativas, o que o presidente do MpD tem vindo a fazer em várias entrevistas”.

O novo primeiro-ministro já advertiu que tem um programa de legislatura e esta postura vem a propósito deste seu primeiro ano de gestão, marcado por duas eleições, as autárquicas no Verão, e presidenciais no Outono.

Na leitura de Nuno Andrade Ferreira, as campanhas eleitorais vão ter o seu impacto no trabalho do novo Executivo, cujas primeiras medidas, embora tomadas no início, não terão resultados a curto prazo.

“Digam respeito à economia, ao combate ao desemprego, à questão da dívida pública que é mais técnica e foge ao olhar do eleitor comum, à regionalização e a promessas a nível da descentralização, nenhuma dessas medidas vai produzir efeito imediatamente porque no que diz respeito à economia, à vida em sociedade e à política, as medidas tomam-se hoje para produzirem efeitos a médio e a longo prazos”, diz aquele professor universitário e jornalista.

Depois de 15 anos na oposição, o MpD venceu as eleições legislativas de 20 de Março com 53,58 por cento dos votos, que lhe deram 40 dos 72 deputados empossados há dois dias.

O PAICV obteve 37,53 dos votos e 29 deputados, enquanto a Ucid conseguiu 6,75 por cento do escrutínio, elegendo os restantes três deputados do parlamento.

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