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Cabo Verde, entre ganhos sociais e desafios económicos

  • Alvaro Ludgero Andrade

Arquipélago celebra hoje 41 anos de independência.

No dia em que Cabo Verde assinala 41 anos de independência, os partidos políticos defenderam um consenso nas grandes questões nacionais.

Considerado inviável por muitos analistas em 1975, o arquipélago ocupa hoje os primeiros lugares em vários índices sociais, como governação, igualdade de género, liberdade económica e de imprensa.

Entretanto, apesar de já ser considerado um país de rendimento médio, a taxa de desemprego continua elevada, principalmente entre os jovens, e procura um crescimento económico sustentável.

Um índice recente do Banco Mundial considerou Cabo Verde o segundo país africano em matéria de boa governação, enquanto organizações de defesa dos direitos humanos e de liberdade de imprensa, colocam o arquipélago no grupo dos países mais livres do mundo.

No ano passado, o Presidente americano Barack Obama apontou Cabo Verde com "um caso de sucesso em África".

Nesta semana, a Unesco revelou que com uma taxa de inscrições de meninas no ensino básico de 97 por cento e com a paridade entre meninas e rapazes também alcançada no ensino secundário e no ensino superior, Cabo Verde lidera o ranking africano na educação de meninas e igualdade entre sexos.

Apesar desses dados, a primeira-dama de Cabo Verde Lígia Fonseca disse à VOA que “as meninas continuam, no entanto, a não ter acesso igualitário aos homens no mercado no trabalho”, o que é um combate que continua a ser feito.

Desemprego elevado

Entretanto, o desemprego ainda estrutural continua a ser o grande problema do país.

A taxa de desemprego em 2015 ficou em 12,4 por cento, de acordo com o Instituto Nacional de Estatísticas, mas há muitas dúvidas sobre a situação real.

Entre os jovens, ou seja dos15 aos 24 anos, a taxa chega a 28,6 por cento.

Em declarações recentes à VOA, o economista Paulino Dias apontou caminhos para que Cabo Verde consiga definitivamente encontrar os seus próprios meios de subsistência.

“Cabo Verde precisa caminhar com as suas próprias pernas, quer em termos de políticas, de legislação, de procedimentos, de tecnologias de suporte”, explica Dias para que o país seja diferente dentro de “cinco, 20 ou 50 anos”.

O turismo representa cerca de 25 por cento do Produto Interno Bruto, quando há cerca de 10 anos as remessas dos emigrantes eram a primeira fonte de receita do pais.

Os dados

A pobreza, no entanto, ronda os 27 por cento, enquanto a pobreza extrema afecta 12 por cento dos cabo-verdianos.

Em 2014, o arquipélago situou-se em 122º lugar, entre 187 países, no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do PNUD.

A esperança média de vida, estimada em 71 anos, é a mais elevada da África Subsariana, enquanto a mortalidade na infância caiu de 26 por 1.000 nados vivos, em 2007, para 15, em 2011.

A taxa de mortalidade materna caiu de 36 por 100.000 nados vivos em 2006, para 26, em 2011.

Em 2011, 94 por cento das crianças com menos de um ano de idade tinham a imunização completa e a percentagem de população que habita a menos de meia hora de um centro de saúde, atingiu os 86 por cento.

Hoje, na sessão solene no parlamento, os partidos políticos pediram consenso nas grandes questões nacionais, sem apontar, no entanto, as principais áreas em que estariam abertos a acordos entre eles.

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