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Mulheres "heroínas" de Cabo Verde

  • Eugénio Teixeira

Maria Rosa, vendedeira, Praia, Cabo Verde

Assinala-se hoje o Dia da Mulher Cabo-Verdiana com apelos à paridade com os homens

Assinala-se nesta segunda-feira, 27 de Março, o dia da mulher cabo-verdiana, efeméride comemorada com a realização de varias actividades, numa altura em que a classe feminina pede mais respeito e oportunidades para poder competir em pé de igualdade com os homens nas diferentes esferas da sociedade.

Uma grande campanha tem vindo a ser feita a favor da aprovação de lei da paridade de géneros.

Num país de grande emigração, a maior parte de mulheres sempre foi chamada a desempenhar o papel de chefe da família, sendo neste caso mãe e pai na educação dos filhos.

O arquipélago regista uma alta taxa de mães solteiras que cuidam sozinhas da família, por falta de assunção de responsabilidades dos homens.

Não é incomum ouvir nas ruas do país que a mulher cabo-verdiana é mesmo guerreira, já que apesar de enormes constrangimentos dá cara à luta, trabalhando de sol a sol na busca do sustento para os filhos e demais membros da família.

Pai e mãe

Maria Rosa, de 56 anos, é vendedeira do Mercado Municipal da Praia, a capital, desde os 14 anos

Com a morte do marido, disse ter cuidado dos cinco filhos que conseguiram estudar e hoje são donos do seu próprio destino.

A vendedeira entende que a sociedade cabo-verdiana tem evoluído, mas acha que a mulher precisa ainda ser mais respeitada e acarinhada pelos homens e a sociedade no geral.

Joana Almada, bancária e portadora de deficiência

Joana Almada, bancária e portadora de deficiência

No bairro da Várzea, também na Praia, a VOA falou com Joana Almada, de 33 anos, técnica superior e funcionária de um dos principais bancos comerciais do país.

Luta contra todos

Almada nasceu na localidade de Belém, no município da Ribeira Grande de Santiago, mas desde os quatro anos de idade ela foi criada e educada por um casal residente na Praia

Portadora de deficiência física, Joana Almada disse ter contado com a prestimosa e incansável ajuda dos pais adoptivos, o que lhe permitiu estudar.

Depois de concluir o 12o ano de escolaridade, teve um filho.

Desempregada, conta-nos que não cruzou os braços e começou a fazer pequenos negócios para vender.

Mais tarde, frequentou uma formação profissional de contabilidade e viu abrir uma janela de oportunidade pelo Comité Paralímpico, que lhe proporcionou um emprego.

Determinada a melhorar de vida, concluiu a licenciatura em contabilidade.

Esta mulher portadora de deficiência física, mãe de um filho com 13 anos e que também possui o mesmo problema físico, trabalha agora num banco comercial.

Ela diz-se feliz pelos caminhos que trilhou, que lhe permitiram conseguir os seus objectivos.

Almada, no entanto, lamenta algumas dificuldades que muitas mulheres enfrentam, nomeadamente a “violência baseada no género, de que ela mesma foi vítima por parte do ex-companheiro e pai do seu filho”.

Terreno ainda fértil para os homens

Por isso, apela a uma sociedade cada vez mais respeitada e que proporcione oportunidades iguais às mulheres em relação aos homens.

Eurizanda Brito, empresária no ramo da panificação

Eurizanda Brito, empresária no ramo da panificação

Já a empresária no ramo de restauração-panificação, Eurizanda Brito considera que a vida da mulher fica mais complicada, porquanto, para além de comandar os negócios, vê-se também obrigada a cuidar dos trabalhos domésticos e da educação dos filhos, devido à ausência e ou distração dos país.

Brito aponta igualmente dificuldades no acesso ao financiamento, terreno que para ela ainda é "mais fértil para os homens".

Refira-se que a Rede de Mulheres Parlamentares, em parceria com o Instituto da Igualdade e Equidade de Género e associações da sociedade civil, tem desencadeado acções e contactos com órgãos de soberania, visando a aprovação da lei de paridade de género.

Aquelas organizações afirmam tratar-se de uma luta por uma causa justa, desafio que esperam seja também abraçado pelos homens.

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