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O Brasil para estudante estrangeiro nem sempre compensa

  • Maria Cláudia Santos

Angolano se diz decepcionado com a experiência

O angolano Degelson Luciano Lubazandy não esconde a decepção com a experiência que tem vivido no Brasil. Enfrentando dificuldades para pagar o curso de Direito, na Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU), em São Paulo, admite que só não desistiu de estudar no Brasil para não perder o investimento que já fez.

O Brasil foi a segunda opção de experiência no exterior para o estudante que, depois de começar a cursar Direito em seu país, tinha como projeto ir estudar em Portugal, onde buscaria familiaridade com outras visões do direito.


Como a ideia de ir para o país europeu não deu certo, Degelson entrou em contato diretamente com universidades do Brasil e acabou vindo por conta própria para o território brasileiro.

O primeiro grande obstáculo desse angolano, não é diferente do enfrentado pela maioria, sobretudo de africanos, que vem estudar no Brasil fora de programas de bolsas de estudo, do governo brasileiro ou dos países de origem. Degelson dá uma noção dos altos custos que um estudante, principalmente do sistema particular, tem que arcar no território brasileiro.

"Se o indivíduo estiver a fazer Direito nas instituições de renome de São Paulo ele gasta, só pagando a faculdade, US$ 600,00 dólares. Fora, a casa, a alimentação e o transporte. Isso depende do curso e depende também da extensão territorial. Se for na cidade de São Paulo, certamente, deve gastar na linha de US$ 800,00 a US$ 1.200,00 mensais.”

O angolano lembra que pagar os estudos no Brasil tem sido um sacrifício. "Não é uma quantia que facilmente os meus familiares têm tido. No geral, os estudantes que estão aqui por valores familiares vivem em restrições. Dependendo só de famílias, essas pessoas entram em crise e, quando o dinheiro chega, eles já têm uma agenda de contas para pagar e ficam sem nada, tendo que recorrer a outros meios."

Os outros meios citados pelo estudante, na maior parte dos casos, são trabalhos ilegais, clandestinos, já que o Brasil não permite ocupação no mercado por estudantes estrangeiros.

"Muitos estudantes que aqui se encontram têm que submeter a condições não muito precisas no mercado de trabalho. Alguns, que eu conhecia, perderam parte dos seus familiares que os apoiavam em Angola e, obrigatoriamente, passaram a prestar serviços aqui não próprios para estudantes."

Os serviços clandestinos descritos como inadequados para estudantes impedem que o aluno se dedique, realmente, ao que deveria ser seu principal objetivo, os estudos no Brasil, como lembra o graduando de Direito. "Passar a trabalhar, por exemplo, como acompanhante de alguém que faz estada por aqui, passar a acompanhar turistas que querem fazer compras por aqui ou mesmo passar a trabalhar em lojas. Trabalhar nessas lojas é desgastante. Ele sai daí desgastado, chega à faculdade e quase não faz nada."

O estudante é mais um a confirmar o que o governo brasileiro esclarece: não há suporte para estudantes que entram no Brasil para estudar por conta própria. "Eu nunca consegui nenhum suporte. A bolsa de estudo do convênio entre o governo e os países de língua portuguesa é restrita à questão territorial. Só atende a quem está em Angola. Alguns estudantes que eu conheço tiveram a oportunidade de obter a bolsa FIES, cujo patrocínio é da Caixa Econômica Federal. Mas, essa bolsa, já não é concedida a estrangeiros. "

Reclamando da falta de apoio do Brasil e dos sacrifícios para pagar os estudos, Degelson não esconde o arrependimento de ter deixado o seu país para estudar.

"Eu não vejo muita valia quando um estudante tem que se submeter a certas condições que não dignas. Do meu ponto de vista, não compensa. Depois de me fazer aqui presente o único meio que eu tinha era continuar, já que aqui estava e já tinha muitos gastos. Eu não tinha como renunciar," desabafa.

Para quem, mesmo diante do relato das dificuldades, ainda quer vir para o Brasil, o estudante chama à atenção para alguns cuidados necessários. "Primeiramente, acho que a pessoa deve ter um contato muito estreito com a instituição para saber se eles vão apoiá-lo quando ele precisar renovar o visto de estudante. Saber também se essa universidade está reconhecida pelo MEC. Há universidades que fazem pronunciamentos em Angola e, depois de conseguir aqui um número bom de estudantes, deixam esses estudantes alheios. Saber se está em condições de custear os estudos e saber do caráter tradicional da instituição. Portanto, são amplos os cuidados," lembra o angolano.

Links úteis
Faculdades Metropolitanas Unidas - FMU
http://fmu.br/
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