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Onda de manifestações toma conta do Brasil

  • Maria Cláudia Santos

Nuvem de gás lacrimogéneo (Estádio Mane Garrincha em Brasília, Junho 15, 2013).

Nuvem de gás lacrimogéneo (Estádio Mane Garrincha em Brasília, Junho 15, 2013).

Os protestos contra as obras dos grandes eventos desportivos no país

O Brasil é tomado por uma onda histórica de manifestações que não parecem ter data para acabar. Multidões do tipo só foram vistas nas ruas das cidades brasileiras no fim do período da ditadura no país, em 1985, e na articulação popular que resultou no impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello.

“O Brasil acordou”, “Parem com a roubalheira ou paramos o Brasil”. Esses eram alguns dos gritos de guerra que puderam ser ouvidos nas manifestações que levaram milhares de brasileiros às ruas nas principais capitais do Brasil, na segunda-feira (17).


Os protestos são contra os gastos do governo com os grandes eventos esportivos, como a Copa das Confederações e do Mundo, o preço alto das tarifas do transporte público e várias outras questões que têm indignado os brasileiros, como a corrupção e a falta de investimentos na educação, na segurança pública e na saúde.

As manifestações, iniciadas na semana passada, atingiram o ponto alto nessa segunda-feira, quando as ruas das principais capitais brasileiras foram tomadas. Faixas contra a Copa, com dizeres como FIFA go home puderam ser vistas para todos os lados, juntas a outras fazendo reivindicações de diversas naturezas.

A proposta era de um movimento pacífico, mas o clima foi tenso em boa parte do Brasil. No Rio de Janeiro, um carro foi queimado por manifestantes. Em São Paulo, a Assembleia Legislativa chegou a ser parcialmente invadida. Na capital federal, o teto do Congresso Nacional foi tomado pelos manifestantes. Em Belo Horizonte (MG), manifestantes saíram feridos ao caírem de viadutos em meio ao "empurra empurra".

Nas multidões, nas várias cidades brasileiras, o grito mais comum era contra a realização de eventos esportivos dispendiosos que podem não deixar benefícios reais para quem precisa, como explica Amanda Couto do Movimento Popular dos Atingidos pela Copa.

“É um legado extremamente perverso de violações de direitos humanos. Infelizmente, essa propaganda de que essa vai ser a “Copa de todos”, está sendo contestada com a realidade de que o preço maior está sendo pago para quem já vive de forma mais precária. São as populações de vilas e favelas, os trabalhadores informais que estão pagando o ônus mais alto para a realização do grande espetáculo. É uma Copa cada vez mais elitizada. Não somos contra futebol e paixão nacional. Somos contra este futebol elitizado e nos modelos que a FIFA impõem”, afirma.

Mas, os brasileiros nas ruas deixaram claro que não são só os gastos com os mega eventos esportivos que estão desagradando. A multidão mostrou que existe um mal estar coletiva especialmente dos jovens.

Ouça o desabafo dos brasileiros.

Os brasileiros, em vários estados prometem mais protestos para os próximos dias. A presidente Dilma Rousseff disse nesta segunda-feira que os protestos pacíficos que se espalharam pelo País são legítimos.

“As manifestações pacíficas são legítimas e próprias da democracia. É próprio dos jovens se manifestarem”, disse a presidente.
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