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Brasil quer facilitar negócios em África

  • Maria Cláudia Santos

Vista de Belo Horizonte

Vista de Belo Horizonte

O governo brasileiro anunciou a criação de uma nova directoria do Banco Nacional de Desenvolvimento Social voltada para os negócios com a África.

A facilitação e a agilização dos financiamentos para os brasileiros investirem em África foi um dos destaques do primeiro dia do Sétimo Encontro de Negócios na Língua Portuguesa, em Belo Horizonte, Minas Gerais.
O evento tem o desafio de estimular os negócios entre os oito membros da comunidade: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Portugal e Timor Leste.

O ministro brasileiro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, anunciou a criação nos próximos dias de uma nova directoria do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES), voltada para os negócios com a África. As linhas de financiamentos em projectos no continente estarão dentro do orçamento do próprio banco que, em 2013, vai desembolsar 140 bilhões de reais em empréstimos.

“O objectivo de criar a directoria voltada para a África e a América Latina é tornar mais ágil, mais fácil o financiamento das empresas brasileiras que operam no exterior. Hoje, temos presença forte na América do Sul e na África. Isso pode ser ainda mais ampliado, é um mercado que nos interessa muito, o de exportação de serviços”, explica o ministro.
“A exportação de serviços é sempre acompanhada da de mercadorias. As empresas que vão para o exterior contratadas para prestar serviços acabam levando equipamentos, tecnologias, mercadorias, bens de capital brasileiro. Para o Brasil é sempre bom esse tipo de investimento”, conclui Pimentel.
O encontro em Minas Gerais é marcado pelas discussões focadas na falta de conhecimento que os países da CPLP têm hoje das oportunidades de negócios dentro da própria comunidade.

Outra preocupação é a posição dos países de língua portuguesa em um mundo em transformações, com as economias emergentes, na passagem da década, ultrapassando o grupo dos sete países mais desenvolvidos, o G7. No encontro, o ex-ministro do trabalho brasileiro Paulo Paiva lembrou que as mudanças no consumo, sobretudo, vão trazer muitos desafios e muitas oportunidades para os países da CPLP.

“Esses países, principalmente os africanos, têm alguma coisa em comum com o Brasil que é a abundância de recursos naturais e também a produção agrícola. Essa expansão do mundo aumentará a demanda por minério e por alimentos. Essa é a grande oportunidade para todos esses países, incluindo o Brasil”, afirma Paiva. Nas discussões, no encontro de negócios dos países de língua portuguesa em Belo Horizonte, os investimentos em África ganham muito destaque.

Sherban Leonardo Cretoiu, Coordenador do Núcleo de Negócios Internacionais da
Fundação Dom Cabral, explica que os africanos que vieram à capital dos Estados de Minas Gerais estão atrás de algo que vai além dos negócios. Eles buscam parceiros para o desenvolvimento dos seus países. “Um neocolonialismo da África está completamente fora de questão. Os empresários com uma visão das responsabilidades e das possibilidades da actividade empresarial têm que trabalhar nessa linha de serem investidores e contribuidores para o desenvolvimento desses países”.

João Figueiredo, CEO do Banco Único em Moçambique, confirma que o tipo de relação comercial que tem acontecido entre o país dele e outros, inclusive de língua portuguesa, não agrada mais aos moçambicanos.

“É que tem sido uma relação apenas com uma visão unilateral dos interesses do investimento. Para que resulte, é preciso que tenhamos um modelo biunívoco, em que os dois parceiros ganham. Por exemplo, quando o investidor brasileiro quiser olhar para Moçambique, tem que olhar numa relação de equilíbrio, de equidade”.

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