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"Lula" envolvido em caso de corrupção, assegura revista "Veja"

  • Maria Cláudia Santos

Ex-presidente brasileiro Luiz Inácio "Lula" da Silva

Ex-presidente brasileiro Luiz Inácio "Lula" da Silva

A publicação divulgou a denúncia no momento em que o Supremo Tribunal julga os políticos envolvidos no esquema denunciado em 2005.

No Brasil, analistas, autoridades e políticos estão a reagir cautelosamente à reportagem da revista “Veja” garantindo que o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva não só sabia, como participou no maior escândalo de corrupção da história recente do Brasil, conhecido como “Mensalão”.
A publicação divulgou a denúncia esta semana, no momento em que o Supremo Tribunal Federal brasileiro julga os políticos envolvidos no esquema denunciado em 2005.
O principal acusado a ser julgado, esta semana, é o ex-ministro da justiça do governo Lula, José Dirceu. O político do Partido dos Trabalhadores (PT) teria chefiado o esquema de compra de votos de deputados com o objetivo de aprovar projetos de interesse do governo do ex-presidente.
Desde a explosão do caso, a pergunta mais frequente no Brasil é: Lula sabia ou não das irregularidades? Agora, o pivô do “Mensalão”, o publicitário Marcus Valério, de acordo com a revista Veja, estaria afirmando que sim.
O advogado criminalista Marcelo Peixoto lembra que, a partir dessa denúncia de Marcus Valério, apesar do “Mensalão” já está sendo julgado, é possível abrir um processo novo contra o ex-presidente Lula. “É importante dizer que, a todo e qualquer momento que surgir um fato novo, não só pode como deve a Procuradoria da República instaurar um procedimento investigativo para, com base nele, buscar-se a autoria e a materialidade da prática penal.”




O Procurador-Geral da República, Roberto Gurgel, afirma, no entanto, que as denúncias ainda precisam ser mais investigadas e lembra que, antes disso, é necessário concluir o atual julgamento do caso. “Em primeiro lugar, as denúncias não interferem neste julgamento que está em andamento. Mas, a partir da aí, pode surgir material para instauração de algum outro inquérito. Mas, vamos ver como as coisas se desenvolvem. As declarações dele (Marcus Valério) devem ser sempre tomadas com muita cautela porque não se sabe que tipo de jogo está sendo feito neste momento,” afirma.

De forma geral, esse tom de cautela do procurador é o que predomina no país com relação à atribuição de culpa a Lula no caso do “Mensalão”. Até os políticos de oposição ao partido do ex-presidente, o PT, evitam atacá-lo mesmo depois da denúncia, defendendo apenas mais investigação do caso.
Essa foi a posição, por exemplo, do senador Aécio Neves (PSDB), um dos presidenciáveis para 2014, que evitou qualquer pré-julgamento sobre o ex-presidente Lula. “Eu acho apenas que esse episódio vai ter desdobramentos e temos que aguardá-los com cautela. Eu não torço para que todos sejam punidos apenas porque são meus adversários.”
O senador Aécio Neves avalia que “independente do partido, quem agiu com irresponsabilidade para benefícios pessoais ou partidários deve pagar”, até para que as novas gerações possam ter um comportamento ético diferente do assistido até aqui.
O deputado estadual Sargento Rodrigues (PDT/MG) acha difícil acreditar na inocência de Lula, mas, mesmo assim, garante que é preciso apurar melhor a denúncia. “As declarações têm peso porque o Marcus Valério estava no centro da questão. Cabe agora aos meios de investigação definir e, se o presidente Lula estiver envolvido nessa, ele terá que pagar. Eu acho muito pouco provável que seu ministro mais poderoso tivesse operado esse imenso “Mensalão” sem que ele soubesse.”
O deputado estadual Paulo Piau (PMDB/MG) também foca as suas declarações na cobrança de mais investigações. “Se houver realmente indícios fortes do ex-presidente no processo do mensalão é ‘o fim do mundo’. Mas, há a necessidade de se aprofundar essa investigação,” afirma. “Nós vamos aguardar esse desfecho porque a sociedade brasileira está cansada de ver desvio de recursos, de dinheiro, de políticos de vários partidos com esse comportamento.”
O ex-presidente Lula não se pronunciou oficialmente sobre as denúncias.

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