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África Lusófona-Brasil: Custo elevado dos transportes trava intercâmbio comercial

  • Maria Cláudia Santos

Altair Maia:o que impede o crescimento dos negócios com os países africanos lusófonos é o transporte marítimo, muitíssimo caro e demorado.

Um dos temas durante o Sétimo Encontro de Negócios em Língua Portuguesa que decorreu esta semana no Brasil, foi o do relacionamento comercial entre o Brasil e a África que está a ser travado, segundo muitos economistas, pelo alto custo do transporte marítimo de mercadorias entre os dois continentes.
O pesquisador sobre África, Altair Maia, é taxativo: o que impede o crescimento dos negócios entre o Brasil e os países africanos lusófonos é o transporte marítimo, muitíssimo caro e demorado.

O economista discutiu o assunto no Sétimo Encontro de Negócios em Língua Portuguesa, em Belo Horizonte (MG). Depois de visitar mais de 30 países africanos, o escritor de várias obras sobre o continente avalia que não adianta discutir nada antes que esse problema seja resolvido.

“Só para dar uma ligeira noção, um container para a Europa custa hoje em torno de US$ 2.300. O mesmo container para a África custa US$ 4.300. Então, se estamos falando do renascimento das relações Brasil-África, nós temos que falar da solução do problema do transporte marítimo, sem isso não temos nada”, explica Maia.

O estudioso afirma que a solução passa por um acordo governamental, envolvendo o Brasil, os países africanos, além de empresários. “Estamos propondo que seja montada uma grande estrutura negocial pra que ela possa ter ação concreta sobre a questão. Hoje, um container leva de 30 a 150 dias para chegar à África. Se implantado esse sistema que estamos propondo, o mesmo container levaria somente uma semana e o preço poderia cair pela metade”, detalha.

Para o especialista, o atraso brasileiro no incremento das negociações com países africanos lusófonos, dando espaço para outros povos como os chineses, tem relação com esse gargalo. “Hoje os navios que saem do Brasil para a Europa não param na África, eles passam direto, por isso, o frete é caro. Toda mercadoria brasileira tem que fazer primeiro um transbordo na Europa, só depois desce para os países africanos. É claro que o custo do frete será o dobro,” alega Maia.

De acordo com Altair Maia, no contexto atual de grande competição em busca de divisas, “se tem o chinês colocando, digamos o mesmo produto, com um frete mais barato a nossa competitividade vai para o ralo”. O estudioso lembra que o momento é de reaproximação do continente africano com o quase continente brasileiro. “É um momento que, se tivermos capacidade gerencial, conseguiremos atracar esses dois blocos. Mas, se não tivermos como solucionar o problema do transporte, podemos ter laços culturais laços sociais que não vai adiantar”.

Ainda de acordo com o analista, os brasileiros precisam saber que a palavra que os africanos querem ouvir é parceria. “Eles querem que venhamos a dar as mãos para andarmos juntos. Os produtos brasileiros têm muita aceitação em termos de países africanos. Lá fala-se do produto brasileiro como o original”.

No entanto, Maia é enfático e, mais uma vez, afirma que de nada adianta termos produtos bons, preços bons e simpatia africana, se não conseguirmos destravar a questão do transporte. “Como vamos negociar com eles tendo que segurar o dinheiro por 40, 50 até 60 dias. Enquanto isso, a Europa coloca o produto na costa oeste africana em sete dias. O capital de giro é algo que custa e custa muito para quem não tem. Aliás, custa mais para quem não tem”, encerra o especialista.

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