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Tensão politica pode ter impacto nos Jogos Olímpicos do Brasil

  • Patrick Vaz

As Olimpíadas no Brasil em Agosto podem ser iniciadas sem a presença da Presidente Dilma Rousseff.

O processo de impugnação contra a governante deve até ser finalizado antes da abertura dos Jogos, mas o país pode sim estar mergulhado num cenário mais crítico do que o actual.

“Acredito que o processo do impeachment cessará antes mesmo disso. Acho que em poucos dias, num intervalo aproximado de duas semanas, teremos um desfecho inicial no Senado, se admite ou não o processo. Na sequência, todos os prazos processuais deverão ser cumpridos até porque o prazo médio é de 60 dias. Portanto, podemos chegar nas Olimpíadas com essa questão resolvida do ponto de vista legislativo. O que não quer dizer que tenhamos problemas judiciais e essas coisas se arrastam. Para o país isso é péssimo, para a governabilidade é ainda mais e mais ainda para uma perspectiva de ter estabilidade e buscar corrigir a rota política, econômica e social do país. Portanto, tenho menos preocupação com as Olimpíadas e muito mais na direção de qual imagem hoje nós passamos para o mundo e como que nós tratamos esse problema do país. Olimpíadas é uma conjuntura, um momento. Independente de quem estiver respondendo pelo Brasil no momento dos Jogos saberá conduzir as coisas de modo que possam fluir de maneira razoável, adequada e daquilo de sermos bons anfitriões novamente. Mas toda e qualquer crise vem no sentido da superação, do problema que a causou no modo de buscar um avanço para um patamar de qualidade superior. Espero que a gente fortaleça ainda mais o estado democrático de direito e suas instituições basilares”, disse o cientista político Eduardo Martins. .

Aquele especialista destaca que o resultado desfavorável à Presidente na Câmara dos Depurados agrada apenas uma parcela da sociedade.

A maioria dos brasileiros quer mais, quer um país digno para se viver, livre de todos os problemas, de todas as crises vivenciadas.

“Do ponto de vista da população, da sociedade civil, infelizmente o processo do impeachment se confundiu com alguma coisa que a gente chama na ciência política de um recall. Há uma insatisfação muito grande com esse segundo governo da Dilma que se caracterizou basicamente em meados do primeiro ano. Portanto, em 2015 a situação se agravou e tornou-se pública. Há uma crise econômica e social intensa, desemprego. Insatisfação do ponto de vista do poder aquisitivo, inflação, insegurança alimentada por uma série de problemas de ordem econômica abastecida pela grande mídia e pelas grandes entidades empresariais. Além naturalmente de uma repercussão internacional que é a fuga de capitais estrangeiros no sentido do investimento. Então, parte daquela população que estava mobilizada a favor do impeachment ficou parcialmente satisfeita. Porque é um round de uma grande luta, forte, de grandes proporções e que pode abalar as estruturas do país. Mas acredito que a população como um todo quer ficar satisfeita de outra forma, livre desses problemas que hoje vivenciamos. Assim como também o ambiente internacional esteja favorável ao investimento e o Brasil volte a desenvolver e a crescer distribuindo renda. Portanto, uma parte da população está satisfeita, mas o conjunto ainda não porque não se enfrentou os males da corrupção”, ressaltou.

As operações realizadas pelos órgãos de segurança já causam efeito positivo nos brasileiros.

O sentimento de impunidade não é mais o mesmo de outros tempos.

A população começa a acreditar que quem comete crime acaba punido, reforça o cientista político.

“É verdade que o sentimento de impunidade pode estar sendo reduzido entre a população, pois afinal de contas grandes empreiteiros, grandes empresários estão presos e outros ainda serão. Muitos políticos já estão punidos e muitos outros por processos que são hoje apurados. É claro que a grande questão está relacionada com o enfrentamento mais definitivo dessa corrupção endêmica e uma cultura que possa vir ao longo do tempo de anticorrupção. Significa uma mudança do modo de pensar do cidadão comum até o grande empresário e político que o Brasil precisa estar livre disso culturalmente. Além naturalmente que uma das coisas que combate a corrupção são as entidades fiscalizatórias, o exercício permanente da cidadania”, concluiu.

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