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Brasil vai investir na melhoria da educação superior na África

  • Maria Cláudia Santos

Rio de Janeiro, Praia de Ipanema, Brasil

Rio de Janeiro, Praia de Ipanema, Brasil

Financiados 45 projetos que 20 universidades brasileiras vão desenvolver em países africanos de língua portuguesa

O Ministério da Educação brasileiro (MEC) aprovou um programa inédito liberando verbas para universidades do Brasil que vão investir na melhoria do ensino superior na África.

Ao todo, serão financiados 45 projetos, que 20 universidades brasileiras vão desenvolver nos países do continente africano que falam a língua portuguesa. A iniciativa vai custar R$ 6 milhões ao Brasil.


A Universidade de São Paulo, a USP, por exemplo, vai ajudar a criar um mestrado em educação em Angola. A universidade federal do Rio Grande do Sul deve implantar o primeiro curso de agronomia da Universidade de Cabo Verde.

O projeto é fruto de uma parceria entre a Associação das Universidades de Língua Portuguesa (AULP) e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), órgão do MEC.

O reitor da Universidade Federal de Minas Gerais, Clélio Campolina, que será responsável por 13 dos projetos aprovados, detalha o programa. O ex-presidente da AULP lembra que nunca ouve uma iniciativa tão vultuosa e coordenada partindo do ministério da educação brasileiro.

“Havia ações isoladas, esparsas. É a primeira vez que há uma ação sistemática na área educacional entre o Brasil e a África de Língua Portuguesa”, explica.

“Isso demorou algum tempo, eu fui presidente da associação (AULP), fiz essa proposta, estive em uma missão oficial do governo brasileiro a Angola e Moçambique. Estive em África em outras ocasiões, viabilizamos o projeto e mobilizamos os reitores”.

Campolina explica que o programa de investimento brasileiro no ensino superior africano é amplo. “São projetos de áreas diferenciadas, melhoria dos cursos de ciências e reestruturação dos programas de ensino. No nosso caso, vamos reestruturar o curso de engenharia da região de Nampula, em Moçambique. Já temos um projeto de doutorado na área de educação em Angola.”

O programa de investimento brasileiro no ensino da África prevê que professores e pesquisadores do país sejam enviados para as cinco nações do continente que falam língua portuguesa. Mas, também está prevista a vinda de professores e alunos da África para as universidades brasileiras.

“O nosso objetivo é criar a mobilidade professor/aluno para criar uma integração. A partir daí, desenharemos novos projetos de ensino, de pesquisa e projetos de extensão,” afirma.

O programa brasileiro de investimento na educação africana é de interesse dos dois lados. Melhoram as instituições de ensino da África de língua portuguesa e aumentam as possibilidades brasileiras de pesquisas e de relações com países onde há interesse comercial.

Clélio Campolina garante que a idéia principal do investimento coordenado é de intercâmbio, de cooperação.

“Tanto é que o lema do nosso programa é internacionalização solidária, sem dominação e sem submissão. É uma idéia de cooperação considerando a nossa identidade cultural, a nossa herança histórica e nossa dívida social e política com a África em função da escravidão e a importância que a África tem na música brasileira, na cozinha e em várias dimensões. É uma idéia de aprendizado recíproco”.
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