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Brasil pode ter eleições antecipadas, diz cientista político

  • Alvaro Ludgero Andrade

Carlos Ranulfo Melo, Professor de Ciências Políticas da Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil

Carlos Ranulfo Melo, Professor de Ciências Políticas da Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil

Eventual cassação de Dilma Rousseff e Michel Temer acelera a crise política.

O Brasil pode ter eleições presidenciais ainda este ano com o processo de provas aberto no sentido da cassação da Presidente e vice-presidente.

A juíza do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Maria Thereza determinou o início da produção de provas e, para o efeito, pede que a Polícia Federal ouça delatores da Operação Lava Jato, que investiga os crimes de corrupção na Petrobras, e faça perícias solicitadas pelo PSDB.

Caso o processo avançar, tanto Dilma Rousseff como Michel Temer perdem o mandato, o que abre espaço a novas eleições.

Para o professor de Ciências Políticas da Universidade Federal de Minas Gerais Carlos Ranulfo Melo, "este novo dado acelera o processo político e pode desembocar nas eleições ainda este ano".

Michel Temer e Dilma Rousseff

Michel Temer e Dilma Rousseff

Apesar de o vice-presidente Temer ter pedido a separação das contas dele e de Dilma, aquele cientista político acredita que muito dificilmente tal será possível porque tanto o PT, de Dilma, como o PMDB, de Temer, são acusados de receberem luvas de empresas, no âmbito da operação Lava Jato.

"Não sei como se poderá separar as contas porque os delatores da Lava Jato têm dito que as propinas foram para todos os partidos, entre eles o PT e o PMDB, e para a campanha dos dois", continuou Carlos Ranulfo Melo, quem classifica a situação actual de muito grave.

No país existe um movimento a pedir a renúncia do Governo e a convocação de novas eleições que, caso este processo avançar, pode ganhar força.

Na conversa com a VOA, Melo lembra que há um pressão por mudanças "porque a corrupção é generalizada e credibilidade dos políticos estão no chão, inclusive da oposição, que devia estar a aumentar".

Frente a um possível cenário de eleições antecipadas, o embate continuará a ser entre o PT, há 15 anos no poder, e o PSBD, com o PMDB, sem uma liderança de peso, a servir de fiel da balança por ser tradicionalmente o partido mais votado para o congresso.

Entretanto, Carlos Ranulfo Melo considera que "em tão pouco tempo, não se espera que surjam novas lideranças já que até agora não se conhecem".

O cientista político considera ainda que nomes como o juiz Sérgio Moro ou o antigo presidente do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa poderiam criar um movimento alternativo, "mas tal não será possível.

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