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Saída de Dilma não é sinónimo de recuperação económica, dizem analistas

  • Patrick Vaz

Vice-presidente brasileiro Michel Temer

Vice-presidente brasileiro Michel Temer

No Brasil, para muitos analistas, a quase certa chegada de Michel Temer à Presidência da República não vai trazer benefícios imediatos à economia brasileira.

O país vai continuar estagnado pelo menos nos próximos meses.

Esta é a avaliação do economista Paulo César Feitosa que acredita que essa mudança no Governo não vai trazer uma imediata confiança nos empresários para realizarem novos investimentos.

“Particularmente fico bastante preocupado porque, em primeiro lugar, toda a decisão empresarial é uma decisão que só vai ser tomada a partir de uma confiança. Empresários não jogam dinheiro fora, eles investem quando acreditam que têm condições favoráveis na economia, estabilidade. O que vamos ver com o afastamento da Presidente Dilma Rousseff pelos próximos seis meses é um total imobilismo. Quem acredita que a Dilma pode retornar ao cargo depois não vai neste primeiro momento aplicar recursos. Aqueles que esperam que ela não retorne ao comando do país também vai aguardar um pouco mais”, disse.

Outro factor negativo apontado pelo economista é a perda de apoio por parte do vice-presidente Michel Temer pelo facto de ter que realizar o ajuste fiscal.

Para isso vai ser necessário cortar despesas e aumentar receitas.

“É importante a gente levar sempre em consideração que para aquilo que a economia precisaria neste primeiro momento e que o vice-presidente tem dado demonstrações de que deverá tentar fazer que é o ajuste fiscal. Mas precisará de um lado de corte de despesas e do outro ajuste de receitas. Quem apoia Michel Temer a essa sucessão à presidência não quer o aumento de receitas e ele terá que vir. Então você já começa perdendo apoios fundamentais. Por outro lado, o corte de despesas também tem o risco de colocar na rua toda a população, mais de 54 milhões, que derrotou exatamente esses que estão chegando ao poder agora. Isso quer dizer que vamos viver um período de reivindicações dos movimentos sociais nas ruas em busca de seus direitos conquistados nas urnas em 2014”, concluiu.

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