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Manifestações podem estar a fortalecer posição da presidente brasileira, diz analista

  • Patrick Vaz

O ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, abraça Dilma Rousseff

O ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, abraça Dilma Rousseff

A divisão nas fileiras do PMDB em deixar por completo ou permanecer no Governo Federal e as manifestações de rua a favor da presidente Dilma Rousseff acabam fortalecendo a governante brasileira para enfrentar o processo de impugnação.

Essa é a análise do cientista político Eduardo Martins, professor da Universidade Fumec.

Martins diz que "na medida em que você tem essa mobilização social combinada com uma mobilização política nas instituições, notadamente na câmara dos deputados, nas assembleias legislativas e até de governadores de estados, a Presidente ganha força para fazer o enfrentamento de ordem política do impeachment".

O cientista explica que "existe uma outra discussão que é de ordem jurídica", através da qual o governo procura demonstrar que não há base legal para esse movimento político.

Martins também ressalta que é importante destacar que durante o processo de impeachment contra o ex-presidente Fernando Collor de Melo não havia movimento nas ruas em defesa dele.

“Acho que os contextos são bastante diferentes. O ex-presidente Collor era de um pequeno partido e tinha um crédito da sociedade no sentido de uma renovação nacional," afirma.

Em meio às saídas e chegadas na base governista surgem afirmações de que hoje na Câmara dos Deputados há mais parlamentares dispostos a retirar a Presidente do poder. A base petista nega essa informação com veemência. Martins acredita ser hoje uma disputa ideológica entre as bases.

Para Martins, “esse é um combate político ideológico e há também um combate de recomposição da base de governo. Na medida em que um partido maoritário anuncia que sai, o Governo tem que continuar o seu trabalho. E mais uma vez o PMDB que é o fiel da balança demonstra-se dividido por mais que tenha anunciado de maneira simbólica e sem votação a sua saída".

Perante o cenário, diz Martins, "falar que o Governo hoje tem tantos votos ou que a oposição junta com o PMDB tenha tantos votos pra mim é conversa fiada. Esse processo de impeachment será lento, gradual e onde se soma e se retira forças".

Quanto á medida tomada hoje pela Presidência de distribuir cargos deixados pelo PMDB para os partidos pequenos, Martins diz que " é uma boa estratégia para conseguir um resultado favorável para barrar o processo de impugnação".

Ele questiona: “Se ocorrer o impeachment e o vice-presidente Michel Temer assumir o Governo nós conseguiremos em dois anos e nove meses efetivamente estabilidade política?"

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