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Corrupção não afecta imagem de Lula da Silva e Dilma Roussef

  • Maria Cláudia Santos

Estamos juntos: Dilma Rousseff e Lula da Silva

Estamos juntos: Dilma Rousseff e Lula da Silva

Suspenso temporáriamente julgamento de maior caso de corrupção da história recente do Brasil

O julgamento no Brasil de um dos maiores escândalos de corrupção da história recente do país, o esquema que ficou conhecido como Mensalão, está suspenso até o dia 7 de Novembro.




A razão da suspensão do processo, iniciado há quase 3 meses, é a viagem de um dos membros da corte para um tratamento de saúde na Alemanha.

O julgamento do Mensalão será paralisado em uma das fases mais esperadas e polémicas: a definição das penas dos 25 réus condenados por formação de quadrilha, corrupção activa, lavagem de dinheiro, entre outros crimes. Entre os réus estão políticos de destaque do governo do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva.

Por enquanto, apenas um dos réus já tem a pena praticamente definida. O publicitário Marcos Valério, condenado como o operador do esquema de corrupção, deve pegar mais de 40 anos de prisão, além de ter que pagar multa de R$ 2,72 milhões.

A expectativa é grande para as próximas semanas quando devem ser anunciadas as punições para os nomes fortes do governo do ex-presidente Lula que foram condenados, como José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil e José Genuíno, ex-presidente do Partido dos Trabalhadores (PT).

Para analistas, é nessa fase, com a definição de quantos anos cada réu pode ter que ficar na cadeia, que o brasileiro deve entender melhor o significado do julgamento histórico.

Mas, para o cientista político da Universidade de Brasília, Valdir Pucci, mesmo com a divulgação das punições, o julgamento do Mensalão vai ser concluído sem afectar a imagem do ex-presidente Lula e da presidente Dilma Rousseff. O processo também não deve afectar o desempenho do partido nas eleições presidenciais de 2014.

“Porque o que vai definir as eleições é uma questão só: o rumo da economia até lá. Ou seja, se o governo conseguir garantir crescimento económico, continuidade do aumento do nível de emprego e de salário real do Brasil, o PT tem grandes chances de chegar em 2014 com possibilidade de reeleição”, analisa o professor. “Agora, se tivermos crise económica, diminuição de renda, desemprego, isso poderia comprometer a campanha do Partido daqui a dois anos e não o mensalão em si”.

Para o analista, o presidente Lula conseguiu descolar a imagem dele do escândalo da época em que governava por não ter sido um dos réus do julgamento. “O problema seria só se ele subisse no palanque com os condenados. O Lula tem uma forte ligação com o povo e esse povo não relacionou a imagem dele com a do Mensalão. Se ele continuar a política de renovação dos quadros do PT ele tem chance de conseguir sucesso.”

Para Waldir Pucci, a oposição vai precisar de outra arma para enfrentar o PT daqui a dois anos, já que o Mensalão não irá servir para derrubar o partido nas urnas.

“O papel da oposição já se extinguiu porque temos que lembrar que ela também tem o seu Mensalão. Temos um caso em Brasília, com os políticos dos Democratas (DEM) e, ainda, o caso no Estado de Minas Gerais que ainda está muito vivo na memória da classe política”, destaca. “A oposição vai ter que achar um discurso que chegue à sociedade diferente do Mensalão”, conclui.
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