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Brasil celebra "Dia da Consciência Negra"

  • Maria Cláudia Santos

Estudos recentes provam que o negro é duplamente discriminado no Brasil: pela situação socioeconómica e pela cor da pele.

Mais de mil cidades brasileiras celebram neste 20 de Novembro o feriado do “Dia da Consciência Negra”. Pesquisas de várias áreas apontam o efeito devastador do racismo e das desigualdades na vida dos afrodescendentes brasileiros.
A mais recente delas, do Instituto de Pesquisa Económica Aplicada (IPEA), confirma, por exemplo, que os negros são os que mais morrem vítimas de violência no Brasil.

De acordo com estudiosos do Instituto, a taxa de homicídios de afrodescendentes no Brasil é de 36 para cada 100 mil habitantes, enquanto entre os brancos o número cai para 15,2. Para os analistas, esses estudos provam que o negro é duplamente discriminado no Brasil: pela situação socioeconómica e pela cor da pele.

O economista e sociólogo, Marcelo Paixão, do Laboratório de Estudos Sobre Desigualdades Raciais, não tem dúvidas sobre o peso da cor da pele no Brasil.

“O fato é que a variável cor da pele, a aparência física, é um critério de classificação social no Brasil. Ela aumenta a probabilidade de uma pessoa de pele mais escura ou mais clara ter determinadas chances ou determinadas restrições sociais dentro do aparelho do estado ou da dinâmica da vida social no seu conjunto”.

Para a deputada federal, negra, Benedita da Silva (PT-RJ) só o sistema de cotas pode mudar a realidade desigual do afrodescendente brasileiro, forçando a oferta de vagas na educação e no mercado de trabalho.

“Nós já temos hoje um reconhecimento da desigualdade existente. As cotas vieram para trazer a igualdade de oportunidades. Portanto, a política de cotas é extremamente necessária e tem que se tornar, cada vez mais, um elemento eficaz. Ela só vai terminar quando o nosso país tiver equidade, as oportunidades serão iguais”.

Apesar de reconhecer que as desigualdades são enormes no acesso à educação, à saúde, ao trabalho e à política, com apenas 9% de deputados federais negros, Benedita da Silva acredita que o Brasil caminha para uma evolução nesse sentido.

“Nós evoluímos, temos dado passos que vão desde o institucional até a sociedade. Nós estamos vivendo uma nova conjuntura onde o institucional, que é o governo, criou uma secretaria, com status de ministério, para tratar da desigualdade social e a sociedade tem levantando várias bandeiras mostrando que ela quer mais,” afirma.

Neste 20 de Novembro, a ONU promove o evento "Encontro das Áfricas", no Rio de Janeiro. O Dia da Consciência Negra será celebrado com uma noite de eventos artísticos e discussão política. Artistas do Brasil, de Cuba e de Senegal vão se apresentar.

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