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Brasil:Empresa apoia afrodescendentes discriminados no mercado de trabalho


Polícia de élite brasileira patrulha as ruas da Favela Rocinha, no Rio de Janeiro (Nov.13, 2011)

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A empresa Protonegro nasceu a partir da constatação de que a cor da pele influencia a contratação

Um projecto desenvolvido por uma empresa de recursos humanos de São Paulo chama a atenção para a gravidade do problema da discriminação racial no mercado de trabalho brasileiro. Diante da constatação das barreiras que os afrodescendentes enfrentam no Brasil para conseguir trabalho, o Protonegro foi idealizado para conscientizar os gestores de empresas a contratar negros.

Paulo Lourenço Vieira, sócio-director da Proton Consultoria - empresa que presta serviços para o segmento de recursos humanos - explica que a ideia da criação do serviço nasceu a partir da constatação de que a cor da pele ainda leva muitas pessoas a serem rejeitas para vagas de emprego. A empresa de RH observou que os afrodescendentes são barrados, muitas vezes, nas primeiras avaliações, antes de terem a chance de mostrar suas capacidades para quem realmente vai definir a contratação.

“Hoje, quando o diretor abre uma vaga esta oportunidade de trabalho tem todo um processo. Por exemplo, o diretor abre a vaga, mas em algum dos departamentos que o profissional passa, até chegar a esse diretor, perde a chance por ser negro. Isso acontece porque as pessoas dizem: eu não vou encaminhar esse profissional por ele ser negro porque o diretor não vai querer,”explica.

Segundo Paulo Lourenço, essa discriminação, muitas vezes, nos passos iniciais do processo seletivo foi constatada em conversas diretas com os diretores. “Nós estamos indo naqueles que abrem a oportunidade de trabalho e questionamos se eles têm algum problema com o envio de um profissional negro para o processo. Eles têm dito que não, mas que não têm chegado negros para eles entrevistarem. É o que todos têm dito”, garante.

E é para evitar que isso aconteça que o Protonegro tem como objetivo acompanhar o afrodescendente para que ele tenha condições de chegar às etapas finais do processo de seleção, quando realmente será avaliado. “O que estamos tentando fazer é enviar o negro e tentar acompanhar mais de perto esse processo. Saber o que aconteceu, como foi, qual foi o resultado. Estamos com um foco mais próximo quando a pessoa é negra.”

Para o consultor de recursos humanos, o negro no Brasil precisa ser acompanhado muito mais, por exemplo, do que vítimas de outros tipos de preconceitos, como os homossexuais. “Com o homossexual as pessoas revelam se gostam ou não, se aceitam ou não. Com relação ao negro é mais velado e o trabalho fica mais difícil de ser efetuado. O homossexual, de um modo geral, consegue se colocar no mercado em cargos de alta hierarquia nas empresas, diferente dos negros. Quando você pega o negro e olha os números, você vê que, nos níveis mais altos, poucos ocupam esses cargos.

Desde que o projecto foi criado, há alguns meses, foram contratados 26 negros em 146 vagas trabalhadas pela empresa. Alguns deles conseguiram ser empregados como gerentes ou analistas. Outros foram contratados como assistentes administrativos, operadores de caixa ou manobristas.

Paulo Lourenço admite que, se por um lado o projeto Protonegro é positivo, a simples necessidade dele comprova uma realidade muito negativa de discriminação no Brasil. “É inconcebível hoje, em pleno 2011, ainda existir isso no mercado de trabalho. E quando você vive isso na pele que realmente sente isso de uma forma muito grave. Cabe a cada um de nós quebrar isso. Seja porque ele é branco, amarelo, verde, azul ou preto, nós temos que ver é a essência, o profissional.

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