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Boavista: Mais demolições em Luanda

  • Manuel José

 Demolições anteriores Luanda Viana

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Muitas famílias recusam-se a abandonar a Boavista para o Zango

O martelo demolidor do governo de Luanda voltou a entrar em acção partindo casas de moradores no bairro da Cerâmica na zona da Boavista em Luanda.

Os moradores recusam-se ser transferidos para casas inacabadas no Zango e preferem regressar para os escombros da Boavista.

Os moradores da zona da Cerâmica na Boavista tiveram apenas 24 horas para arrumarem as suas coisas, para depois verem os tractores a destruir as suas casas.

"Chegaram as 18 horas dizendo para arrumar as coisas que vão partir, vieram partiram as casas e nem se quer carros havia para transportar a população”, disse um dos moradores que acrescentou que no local para onde eventualmente foram levados não havia “nenhumas condições: casas inacabadas, cheias de fezes"

Alguns preferiram regressar à zona de origem.

"No Zango não há condições, casas sem chapas sem janelas sem portas, cheio de capim e fezes as pessoas voltaram para a Boavista,” disse outro morador que disse ser difícil viver no Zango onde “não há hospitais não há nada”.

Outro motivo que levou ao regresso das pessoas 'e a falta de escolas para as crianças estudarem.

"As crianças vão perder o ano lectivo”, disse um morador enquanto outro disse que o problema não era a sua evacuação da zona da Boavista mas sim de os levarem para zonas sem condições com " casas sem tecto sem porta sem janela as crianças a sofrer com frio e mosquitos”.

“Nós também somos seres humanos,” disse.

“Eles os dirigentes têm as suas casas para as suas famílias porque é que nós também não podemos ficar num sítio com condições? Com escolas, para as nossas crianças, como é que as nossas crianças vão aprender? Todos vamos ficar matumbos como antigamente", reclamou.

"Se o Governo tem muito dinheiro do petróleo, compram tantos carros de luxo porque não constroem casas suficientes para a população?" interrogou.

Do Governo não foi possível obter nenhum esclarecimento sobre a situação.
O coordenador adjunto da associação cívica SOS Habitat, André Augusto, criticou as demolições.

"Ao retirar as pessoas dos sítios em que vivem há mais de 20 anos não tem havido o mínimo de respeito pela pessoa humana”, afimou.
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