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Bissau: Intchama nega ter sido o cabecilha da acção

  • Lassana Casamá

Capitão Pansau N'Tchama (Centro)

Capitão Pansau N'Tchama (Centro)

Envolveu-se na operação “contra a sua vontade”

O Capitão Pansau INTCHAMA o suposto operacional da tentativa de assalto ao regimento de Comandos no dia 21 de Outubro de 2012 está a ser julgado no Tribunal Militar Regional.

O julgamento que enrola 17 suspeitos acusados de atentado contra Seguranca de Estado, traição à Pátria e tentativa de assalto ao local fortificado.


O considerado autor da tentativa de assalto ao regimento de comandos em Outubro do ano passado, Pansau INTCHAMA nega ter sido o cabecilha operacional da acção.

Afirma que o seu envolvimento foi imposto pelo antigo Chefe de Estado de Maior General das Forcas Armadas, José Zamora Induta, enquanto superior hierárquico com quem mantinha relações muito privilegiadas.

Tudo começou quando este o convocou, de Portugal para Gambia, país a partir do qual, segundo disse, o permitiria visitar a sua família, em Bissau. Mas, quando chegou a Banjul, ali, foi informado da missão que não podia recusar, sob pena de perder a vida. Aceitou e envolveu-se na operação “contra a sua vontade”.

Pansau Intchama acusou as autoridades gambianas de participação na operação, em conivência com Portugal e proeminentes figuras políticas guineenses, entre as quais, Iancuba Indjai, da Frente Nacional Ante Golpe, Óscar Barbosa, Marciano Silva Barbeiro, Tomas Gomes Barbosa, todos do PAIGC, Fode Cassamá, militar na reserva, e então Secretário de Estado dos Combatentes, assim como Mussa Djata, atual responsável do pelouro e Silvestre Alves, advogado e líder do Movimento Democrático Guineense (MDG).

Ainda numa das suas passagens, o capitão INTCHAMA fez referências ao Domingos Simões Pereira, na altura Secretário Executivo da CPL, com missão de coordenar a parte politica do acto, e Joseph MUTABOBA, o último Representante do Secretario Geral da ONU, em Bissau, afirmando que este último teria aconselhado Zamora Induta a escolher um oficial subalterno para dirigir a acção e não uma alta patente. Ai então, a razão da sua escolha, apesar de ter dito nas suas intervenções que não foi o líder da operação.

Pansão Intchama, por alguns momentos, irritado na audiência com a pergunta dos advogados, obrigando a intervenção do coletivo de juízes, mostrou-se revoltado por ter sido “abandonado” em Portugal pelo Estado guineense, depois de ter terminado o curso de infantaria.

Enquanto o capitão Pansau INTCHAMA estava a falar, os outros co-suspeitos, neste caso o capitão de Mar e Guerra, Jorge Sambu, e o Tenente Coronel Braima DEDJU, torciam o nariz, em sinal de discordância total com o réu.

Mesmo assim, INTCHAMA não desarmou e durante o seu testemunho assumiu ter sabotado a operação ao perfurar, com bala, o pneu da viatura, com a qual assaltaram o regimento de Comandos em Bissau, justamente depois da missão cumprida e quando preparavam-se para deixar o aquartelamento.

Justificou a atitude, porque as armas roubadas iam ser entregues à juventude do PAIGC e que ele não estava disposto para a tal acção, fim de citação.

O julgamento deste celebre caso continua, porquanto faltam ainda treze 17 acusados.
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