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Guiné-Bissau: Sucesso na luta contra mutilação genital feminina

  • Lassana Casamá

Depois da lei proibindo a excisão agora são as próprias comunidades tradicionais que declaram o abandono da mutilação genital feminina.

Na Guiné-Bissau a abolição da mutilação genital feminina é cada vez mais uma realidade na sequência de muitas campanhas de sensibilização.
Depois de uma disposição legal que proíbe a excisão em todo o território nacional e dos líderes religiosos terem elucidado que esta prática nada tem a ver com os fundamentos islâmicos, agora são as próprias comunidades tradicionais que declaram voluntária e publicamente o abandono a mutilação genital feminina.

O nosso correspondente na Guiné-Bissau, Lassana Cassama, fez uma reportagem, a propósito, baseado nas declarações públicas em Bafata, leste do país, região maioritariamente dominada pelas comunidades muçulmanas, onde os populares de duas localidades assumiram que nunca mais vão exercer a mutilação genital feminina.

Foi perante centenas de populares de Bafatá que se assistiu as grandes Comunidades dos Bairros de NEMA e TOROBE a declararem publicamente que abandonaram e que não vão permitir a prática de mutilação genital feminina nas Mulheres e Crianças. Estivemos a ouvir o Representante de Imames a ler a declaração pública a propósito. Um passo importante, se não determinante, na abolição desta prática tradicional e propositadamente colada a religião pelos seus defensores.

Em Bafatá, os bairros de NEMA e TORROBE, são considerados os mais pegados à prática de excisão, daí a razão da ONG, René RENTÉ, palavra dialecto Fula, que significa acautelai-vos, ter investido todos os seus recursos estratégicos para convencer as comunidades respectivas a abandonarem tais práticas. E aparentemente conseguiu, resultado de um trabalho de três anos de promoção de campanhas de sensibilização no terreno – diz-nos Pauleta SAMBU, a Coordenadora do citado projecto da ONG, René RENTÉ, que intervém em Bafatá no domínio da Luta contra Práticas de Fanado na Mulher e Criança.

Para chegar a este ponto positivo, em Bafatá, Pauleta SAMBU, reconheceu que muitas etapas difíceis foram enfrentadas e vencidas:
Tcherno Baldé, representante da Comunidade do Bairro de TOROBÈ, por sinal Presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos, para a região de Bafatá, logo depois da declaração pública e comovente de uma velha “fanatéca” em como excisar crianças deixou de fazer agora parte da sua agenda e que nunca mais vai pegar em qualquer material cortante para mutilar órgãos genitais de uma criança ou mulher, acautelou-se, sugerindo que a declaração publica seja efectiva e que não se venha a fazer prática as escondidas.
Seja como for, a convicção de promotores e de organizações que lutam contra a mutilação genital feminina na Guiné-Bissau é de que algo importante foi ganho com tais declarações públicas em TOROBÉ e NEMA. Maria Domingas Gomes, Presidente da ONG DJINOPI, sigla sobre qual, em crioulo, se define por DJINTIS NÔ PINTCHA, em português, pessoal avancemos, não escondeu a sua satisfação pelas tais conquistas junto das Comunidades.

Estas representam a terceira das quinze declarações que o projecto de combate à mutilação genital feminina da ONG DJINOPI tem em perspectiva nas comunidades em Bafatá, Bissau e outras áreas do território nacional, sobretudo nas zonas com maior incidência da prática da excisão.
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