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Biscate - Negócio sustentável põe Moçambique no mapa das start-ups africanas

  • Mayra de Lassalette

Frederico Costa, Fundador e Parceiro Gestor da UX, Moçambique

A moçambicana UX Information Technologies foi eleita finalista de uma das mais importantes competições para startups do continente africano, a African Entrepreneurship Award.

Nos próximos dias saberemos em que lugar ficou a UX, mas enquanto os resultados do júri que vai avaliar 37 finalistas em Casablanca, Marrocos, falámos com Frederico Costa, co-fundador da start-up moçambicana UX que criou o Biscate, uma aplicação que liga trabalhadores do sector informal a clientes através de tecnologias SMS, USSD e Web, recentemente lançada em Moçambique.

Frederico Silva partilha grandes expectativas em relação ao Biscate, afirmando que a UX vai apostar todo o saber para "que sirva o maior número possível de utilizadores, em Moçambique e num futuro próximo em todo o continente".

Antes de chegar a Casablanca, o jovem empreendedor respondeu a algumas questões da VOA:

Qual a importância para a UX e para o mundo das start-ups moçambicanas a participação nesta competição?

Apesar do seu potencial derivado do talento local, Moçambique ainda não é reconhecido como referência no mundo das tecnologias, ou mesmo no que refere a empreendedorismo. Sinto que a participação da UX terá não só uma grande relevância para a empresa, contribuindo para a sua visibilidade, networking e acesso a conhecimento, mas assumirá também um papel determinante em projectar Moçambique como um país que se começa a posicionar neste sector (TIC).

Qual o maior desafio que a UX encontra no mercado moçambicano?

A UX foi uma start-up pioneira no mercado Moçambicano. Isto implica, para além de todos os desafios cliché de um pequeno empreendimento, ter que se criar toda uma cultura que até à data era practicamente inexistente. Creio que este, continua a ser sem dúvida, o nosso maior desafio a nível local.

A falta de políticas adequadas a esta natureza de negócio, do ponto de vista legal e tributário e um sector privado pouco dinamizado, são certamente factores que dificultam o nosso crescimento. Por outro lado, de um modo geral, a ausência de incubadoras e aceleradoras de negócio, business angels, capitais de risco e mesmo de mentores e outros elementos que mitigam os riscos iniciais de uma start-up, são certamente um impedimento para que muitos jovens possam enveredar pelo empreendedorismo.

Fala-nos um pouco mais sobre o sucesso da aplicação Biscate, a que mercados gostavam de chegar onde ainda não estejam?

O Biscate teve um crescimento além das nossas expectativas, o que releva a sua aceitação neste mercado. Durante os primeiros seis meses atingimos mais de 15.000 trabalhadores registados, provenientes de todo o país e das mais variadas profissões, cerca de dez mil clientes e cinco mil oportunidades de trabalho criadas. Estamos de momento focados em estabelecer a plataforma em Angola, onde já temos presença através do emprego.co.ao, e em contacto com a Etiópia e Portugal onde surgiu um interesse preliminar pelo produto.

Quem são os principais clientes do Biscate?

Neste momento a província que oferece mais mão-de-obra é Maputo com 6808 trabalhadores registados, seguida de Nampula com 3911.

A profissão com mais registos é electricista, com 3796 trabalhadores registados.

Já sente o impacto efectivo do trabalho da UX na vida quotidiana dos moçambicanos? Como?

Sinto cada vez mais. Acho que temos feito um trabalho relevante em várias áreas críticas para a sociedade Moçambicana, tais como: governação, empregabilidade, inclusão financeira, entre outras. Os números começam a ser significativos quando pensamos no impacto dos projectos como um todo.

No dia 10 de Novembro, dia da cidade de Maputo, lançámos o MOPA, uma plataforma de monitoria participativa para a gestão de resíduos sólidos, cuja fase piloto abrangeu quatro bairros peri-urbanos e que expandiu os serviços para toda a cidade de Maputo com o cunho do Conselho Municipal de Maputo. Quase que de imediato, surgiram uma série de registos de problemas na plataforma, o que mostra claramente que o cidadão entende a tecnologia como forma de engajar com o governo para a melhoria das suas próprias condições de vida.

Competição em Marrocos

Depois de sucessivas fases de avaliação, a ideia da UX destacou-se como das “mais sustentáveis e significativas”,entre 37 outros finalistas, num total de 197 que apresentaram propostas na terceira fase da avaliação. A UX participa na competição com a aplicação Biscate, que liga trabalhadores do sector informal a clientes através de tecnologias SMS, USSD e Web, recentemente lançada em Moçambique.

A fase final da competição terá lugar entre os dias 30 de Novembro e 5 de Dezembro em Casablanca, cidade marroquina, e comportará uma formação individualizada, uma apresentação simulada – para preparação - a um júri, a apresentação final ao júri e a cerimónia de atribuição dos prémios.

Às 37 propostas finalistas, de 22 países africanos, será exigida a apresentação de um protótipo ou amostras dos produtos ou serviços, e os vencedores receberão assistência financeira e técnica para o desenvolvimento e expansão dos seus negócios.

O Biscate já foi premiado como a melhor ideia de negócio pelo Ministério das Ciências e Tecnologia moçambicano, em 2014, e em duas competições para start-ups nos Estados Unidos, no mesmo ano.

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