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Dança de cadeiras, a começar por Benguela

  • João Marcos

Isaac dos Anjos

Isaac dos Anjos

Há movimentações em curso nas províncias.

O governador Isaac dos Anjos volta a ser colocado longe da província de Benguela, surgindo Rui Falcão, actual governador do Namibe, como uma hipótese a ter em conta para o seu lugar.

O regresso da chamada "dança das cadeiras" coincide com as reacções ao anúncio de retirada da vida pública em 2018 feito pelo Presidente José Eduardo dos Santos.

Há quase quatro anos na província de Benguela, Isaac dos Anjos pode estar de saída do palácio rosa da Praia Morena, conforme noticia o jornal Chela Press, que avança o nome de Rui Falcão como provável substituto.

Falcão é o homem que sucedeu Anjos na província do Namibe.

Talvez não merecesse tanta relevância a notícia desta publicação regional, já que o governador há muito que tem sido falado para ministro da Agricultura, não fosse o anúncio da retirada de Santos no ano de 2018.

Não se sabe se, a acontecer, Isaac dos Anjos deixa Benguela antes ou depois das próximas legislativas.

O que se sabe é que o também primeiro secretário do MPLA em Benguela corre para a conferência provincial sem a simpatia de figuras notáveis do seu partido.

Entre as várias críticas, segundo apurou a VOA, está o facto de ter interpretado mal o lema “distribuir melhor”.

A repartição dos principais negócios, com privilégio para certos segmentos empresariais em detrimento da maioria, é vista como um de seus vários males.

Tido como um tecnocrata com pergaminhos firmados, capaz de criar projectos sustentáveis, as mesmas fontes dizem que Isaac Maria dos Anjos tem pecado na hora da distribuição dos recursos.

Atento a estas movimentações, o analista José Cabral Sande admite que há já algum tempo que o governador provincial poderia estar a preparar o dia seguinte, tendo como base uma série de projectos agrícolas.

“Como aqui as pessoas têm nojo deste tipo de projectos (agrícolas), ele está a colocar homens da sua confiança em vários municípios. Mesmo que saia, os projectos vão continuar, sob a batuta do Nelito Monteiro e de outros que enveredam por esta área. São projectos que, com o fim da era do petróleo, vão criar riqueza’, sustenta o analista.

Algumas semanas depois, durante uma das edições das Quintas de Debates, espaço organizado pela Omunga, o próprio Isaac dos Anjos veio a público admitir que gostava de “imortalizar” a sua marca na província de Benguela.

“Espero que não abandonem. Quero escrever um livro no qual possa dizer que a planta de café está a dar os seus frutos. É bom que as pessoas aproveitem agora, com o Governo a distribuir plantas”, observou o governador, para mais adiante, de forma irónica, salientar que estas plantas terão de ser pagas.

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